segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

À CONVERSA COM ANTÓNIO CONDE PRESIDENTE DA ZENDENSINO



ANTÓNIO CONDE, PRESIDENTE DA COOPERATIVA ZENDENSINO, PROPRIETÁRIA DA “ESCOLA PROFISSIONAL DE ESPOSENDE” E DA “ESCOLA DE MÚSICA DE ESPOSENDE”
“…O nosso lema é formar bons alunos, bons profissionais, bons cidadãos… gostava de deixar uma palavra de apreço a todos os colaboradores da Zendensino, sejam da Escola Profissional sejam da Escola de Música, na certeza de que ninguém é mais importante que a própria instituição que servimos”
António José Morais Figueiral Conde nasceu em Ferreira de Aves, concelho de Sátão, Viseu, no dia 13 de setembro do ano de 1957 e reside em Fão. Casado com Maria dos Anjos Conde tem duas filhas. Preside à direção da Zendensino desde setembro de 1999.
Iniciou os seus estudos na sua aldeia natal e depois frequentou o Seminário e o Liceu, em Viseu, onde terminou o ensino secundário. Fez todo o percurso académico na Universidade Católica e na Universidade do Minho em Braga. Licenciou-se em Humanidades na Universidade Católica de Braga e começou a lecionar na Escola Profissional Agrícola de Fermil de Basto, como professor de Português, em 1982.
No ano letivo seguinte, começou a lecionar na Alfacoop em Ruílhe - Braga e, em 1989, terminou a profissionalização no Centro Integrado de Formação de Professores da Universidade do Minho. Em 1993 terminou, na Universidade Católica em Braga, o Mestrado em Humanidades (Literaturas Clássicas) e ingressou na Escola Profissional de Esposende como professor de Português e Diretor Pedagógico.
Em 2013, obteve na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Católica em Braga, o grau de Mestre Mestrado em Ciências da Educação – Administração e Organização Escolar, com a classificação final de 17 valores.
Vamos então conhecer um pouco melhor o meu entrevistado de hoje e as instituições que dirige. Zendensino, Escola Profissional de Esposende e Escola de Música de Esposende.
VAMOS AOS SEUS GOSTOS PESSOAIS. O QUE É QUE GOSTA MAIS DE FAZER?
“Em primeiro lugar, gosto muito do meu trabalho. Gosto de conversar com os amigos e apreciar calmamente as delícias dos nossos restaurantes. Gosto muito de caminhar pela praia e pelos percursos pedestres de Fão, vou sempre como se fosse a primeira vez, há sempre algo de novo.”
QUAIS SÃO OS SEUS DESPORTOS PREFERIDOS?
“Eu gosto de todos os desportos… O preferido, como me disse um dia uma pessoa amiga, “as a true portuguese” é o futebol. Como praticante foi o judo e o futebol.”
E UM CLUBE?
“Sem ser fanático, gosto do Benfica, mas também do Braga e do Ferreira de Aves.”
COMO OCUPA OS SEUS TEMPOS LIVRES?
“Nos poucos tempos livres de que disponho gosto de ler e ver televisão, onde privilegio as notícias e o desporto.”
E HOBBYS?
“O meu hobby é a agricultura e, por isso, na minha casa tenho uma “quinta” com 10 metros quadrados.“
O SEU GOSTO PELA ESCRITA?
“De momento, a minha escrita resume-se a ofícios e relatórios para as entidades que tutelam as escolas de que sou responsável. Sou mais leitor do que escritor, no entanto, como diz o povo “de poeta e de louco todos nós temos um pouco.”
ESCOLHA UM ESCRITOR
“Como professor de Português é muito difícil escolher um escritor ou um livro. Desde Camões a Fernando Pessoa, passando por Eça de Queirós, Virgílio Ferreira e José Saramago.”
E OS SEUS GOSTOS PELA LEITURA?
“O meu gosto pela leitura vem de muito jovem e talvez depois o gosto pela profissão de professor. Ler é, para mim, a melhor forma de aprender. Autores estrangeiros de que mais gostei e que ainda lembro: Jules Verne, Dostoievsky, Tolstoi, John Steinbeck, Paulo Coelho.”
ESCOLHA UM LIVRO
“Além de todos os clássicos portugueses e estrangeiros poetas e romancistas que li e gostei, o Livro que mais me marcou desde a juventude foi “Palavra de Homem” de um escritor e filósofo francês chamado Roger Garaudy de cuja bibliografia não conheço muito mais.”
O QUE É QUE GOSTA MAIS DE FAZER?
“Ajudar os outros de todas as formas possíveis ainda que, em algumas situações, o não devesse racionalmente fazer. Gosto de dizer “bom dia” e receber a resposta com um sorriso, principalmente de pessoas desconhecidas.”
TODOS TEMOS OS NOSSOS DESEJOS. QUAL É O SEU DESEJO?
“No seguimento desta quadra natalícia desejo a todos os seus leitores e à nossa comunidade educativa, alunos, professores, funcionários e suas famílias um Feliz 2016, com saúde, alegria e sucesso pessoal e profissional, relembrando que o único sítio em que o sucesso vem antes de trabalho é no dicionário.”
E UM SONHO?
“Prefiro pensar como walt Disney “Todos os sonhos podem vir a ser verdadeiros se tivermos coragem de segui-los”, por isso, o meu sonho é ter coragem para os seguir todos os dias.”
A COOPERATIVA de ensino ZENDENSINO desenvolve a sua atividade na área do ensino secundário tecnológico, artístico e profissional.
EM QUE ANO FOI FUNDADA A ZENDENSINO?
“A Zendensino foi fundada em 10/09/1999. No seu início esteve a necessidade de encontrar uma entidade que, nos termos da legislação então pulicada, obrigava as escolas profissionais a terem uma entidade proprietária. A escola profissional já existia desde 1993 e a escola de música passou a ser propriedade da Zendensino em 2001.
A decisão de optar por uma cooperativa deve-se principalmente ao objetivo de criar uma instituição dinâmica de caráter social e sem fins lucrativos, ora as cooperativas são pessoas coletivas autónomas… e visam, sem fins lucrativos, a satisfação das necessidades das pessoas. A vontade de encontrar uma instituição sem fins lucrativos foi determinante. Ainda hoje penso que foi uma boa escolha.”
COM QUE OBJETIVO FOI CRIADA?
“O objeto social da Zendensino é a manutenção de estabelecimentos de educação, formação e ensino. Desde o seu início que a EPE recebe maioritariamente alunos carenciados, com dificuldades no sucesso escolar e que pretendem a rápida integração na vida ativa.”
A QUEM PERTENCE ESTA COOPERATIVA DE ENSINO - ZENDENSINO?
“A Zendensino pertence aos seus associados entre os quais se destaca a Câmara Municipal de Esposende.”
DESDE QUANDO É QUE PRESIDE À DIREÇÃO DA ZENDENSINO?
“Desde o início da cooperativa em setembro de 1999. Já agora digo-lhe que, no início de 2016, teremos eleições para os órgãos sociais e também revisão dos estatutos porque saiu uma nova Lei com o Código Cooperativo e é necessário atualizar os nossos Estatutos. Portanto, penso que 2016 será um ano importante para esta cooperativa.”
COMO É FEITA A ESCOLHA/ELEIÇÃO DOS ÓRGÃOS DIRIGENTES DA ZENDENSINO?
“A eleição dos corpos sociais é feita em Assembleia Geral. Posteriormente, a Direção eleita faz, de acordo com a legislação, a nomeação dos restantes cargos das escolas nomeadamente os diretores pedagógicos.”
QUAL É O PERÍODO DE VIGÊNCIA DE CADA MANDATO?
“A duração dos mandatos é de 3 anos.”
ONDE ESTÁ SEDIADA A ZENDENSINO?
“A sede da cooperativa é em Fão.”
DE QUEM SÃO AS INSTALAÇÕES ONDE ESTÃO SEDIADOS E ONDE FUNCIONAM COM AS VOSSAS ATIVIDADES?
“Todas as instalações da cooperativa são propriedade da Câmara Municipal e são cedidas gratuitamente, mediante contrato de comodato.”
EXISTEM PROTOCOLOS DE COLABORAÇÃO OU COOPERAÇÃO COM O ESTADO E OUTROS PARCEIROS. QUAIS SÃO OS VOSSAS PRINCIPAIS PARCEIROS?
DE ONDE PROVÉM AS PRINCIPAIS RECEITAS?
“O nosso principal parceiro é o Fundo Social Europeu somos maioritariamente financiados pela União Europeia. A outro parceria fundamental é com a Câmara Municipal de Esposende que além de ser o nosso suporte institucional, também cede gratuitamente as instalações, facto que, neste momento, significa um apoio financeiro muito importante para o equilíbrio do nosso orçamento.
A cooperativa paga em salários e subsídios aos alunos 84% do seu orçamento anual, por isso, como somos uma instituição sem fins lucrativos, também procuramos chegar ao final do ano sem prejuízo, o que obriga a um controlo muito apertado e constante das despesas de funcionamento.    
As receitas da escola profissional provem da União Europeia através do POCH (85%) e do Estado Português e da Segurança Social (15%) mediante apresentação e aprovação de candidaturas. Neste momento, o financiamento da Escola de música vem do Estado através do Contrato de Patrocínio.
As nossas parcerias de cofinanciamento: ZENDENSINO, GOVERNO DE PORTUGAL – MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, POCH, PORTUGAL 2020 E UNIÃO EUROPEIA.
A ESCOLA PROFISSIONAL DE ESPOSENDE TEM DESENVOLVIDO APLICAÇÕES INFORMÁTICAS NA ÁREA DAS NOVAS TECNOLOGIAS. OS PRODUTOS CONCEBIDOS TEM SIDO PATENTEADOS? TEM SIDO POSSÍVEL COLOCAR ESTAS VOSSAS APLICAÇÕES NAS EMPRESAS E INSTITUIÇÕES, OU SEJA, ESTAS TEM APLICAÇÃO NAS EMPRESAS?
“A escola profissional desenvolveu e continua a desenvolver aplicações informáticas que facilitem a gestão, quer pedagógica, quer administrativa, como forma de fazer face à diminuição de financiamento e dar resposta adequada e rápida às instituições de tutela, facilitando o acesso a todos os atores do processo educativo, através de ferramentas e plataformas online, nomeadamente aos encarregados de educação, alunos, professores e gestão pedagógica e administrativa.
Quando, há já uns anos, fazíamos formação com os cursos de especialização tecnológica na área da informática, tendo sido possível desenvolver muitos projetos, alguns deles com aplicação prática na nossa escola e noutras instituições, mas com a passagem desses curso para os institutos politécnicos não foi mais possível continuar com esse tipo de projetos. De momento, o grande objetivo é a manutenção dos vários sistemas de forma integrada como instrumento central da dinâmica escolar.
De momento apenas tentamos manter em funcionamento e atualizar os equipamentos em funcionamento na escola profissional. Mesmo para a escola de música tivemos que adquirir um software de uma empresa especializada.”
A VOSSA PRESENÇA NA INTERNET E NAS REDES SOCIAIS FAZ-SE NOTAR ENQUANTO MEIO DE EXCELÊNCIA PARA COMUNICAR COM A COMUNIDADE.
www.zendensino.pt / www.epe.pt - www.facebook.com/epesposende
A ZENDENSINO É PROPRIETÁRIA DE DUAS ESCOLAS MUITOS IMPORTANTES: A ESCOLA PROFISSIONAL DE ESPOSENDE E A ESCOLA DE MÚSICA DE ESPOSENDE. VAMOS FALAR UM POUCO DESTAS DUAS ESCOLAS E DO SEU FUNCIONAMENTO E VALÊNCIAS.
ESCOLA PROFISSIONAL DE ESPOSENDE
QUEM É QUE DIRIGE/PRESIDE À ESCOLA PROFISSIONAL DE ESPOSENDE?
“A direção é comum às duas escolas. Esta é também uma forma de rentabilizar os recursos e fazer face às dificuldades financeiras.”
QUANTAS PESSOAS TRABALHAM NA EPE?
“Na escola profissional trabalham 55 pessoas.”
DESTES, QUANTOS SÃO DOCENTES?
“São 43 professores.”
QUAL É A OFERTA FORMATIVA DA ESCOLA PROFISSIONAL DE ESPOSENDE?
“Neste momento temos em formação o curso de Restauração – Cozinha e restaurante, o curso de Técnico de Apoio à Infância, Técnico de Receção, Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos, Técnico de Turismo Ambiental e Rural e Técnico de Gestão do Ambiente. Temos também 3 turmas de nível básico (8º e 9º anos) chamados cursos vocacionais.
QUANTOS ALUNOS FREQUENTAM A EPE?
“Neste momento, cerca de 300 alunos.”
QUAIS SÃO AS CONDIÇÕES NECESSÁRIAS PARA ADMISSÃO DE ALUNOS?
“Possuir as habilitações e idade necessárias para cada nível de ensino. Para frequentar os cursos profissionais é necessário o 9º ano ou equivalente.”
QUAIS SÃO AS SAÍDAS PROFISSIONAIS PARA OS VOSSOS FORMANDOS/ALUNOS?
“Para cada curso existem saídas profissionais diferentes. Durante os três anos de duração do curso são estabelecidos protocolos com empresas ou instituições da área para receberem os alunos em estágio e assim facilitar a sua integração no final do curso.”
ACHA QUE A EPE CONCORRE COM AS OUTRAS INSTITUIÇÕES QUE MINISTRAM CURSOS DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL, COMO AS ESCOLAS PÚBLICAS E AS ASSOCIAÇÕES COMERCIAIS E EMPRESARIAIS DO CONCELHO?
“Nós só concorremos connosco próprios, no sentido de melhorar constantemente a nossa prática escolar, o nosso projeto educativo, a nossa relação com a comunidade escolar: alunos, encarregados de educação, professores, empresas e outras instituições.
Todas as outras instituições e escolas são nossas parceiras. Assim como ninguém é feliz sozinho, também nenhuma instituição sobrevive sozinha. O mal de muita gente é querer ser importante, nós só queremos ser úteis e, enquanto formos úteis à comunidade que servimos, temos todo o direito de existir e assim justificar com o serviço público de educação que prestamos à comunidade todo o dinheiro que a União Europeia e o Estado nos confiam anualmente.”
QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS NECESSIDADES DA EPE?
“Temos muitas necessidades em termos de adequação das instalações principalmente no edifício do Ramalhão, temos necessidades de equipamentos técnicos para alguns cursos, esperamos que em breve seja permitido às escolas profissionais a requalificação dos seus equipamentos e instalações.
Para já necessitamos que os jovens escolham frequentar a escola profissional de Esposende como forma de preparar, com qualidade, a sua inserção no mundo do trabalho.”
QUAL É A TAXA DE EMPREGABILIDADE DOS VOSSOS ALUNOS?
“A média geral de empregabilidade ronda os 85% dos alunos diplomados.”
ACHA QUE O CONCELHO DE ESPOSENDE TEM BENEFICIADO COM OS PROFISSIONAIS AQUI FORMADOS NA VOSSA ESCOLA PROFISSIONAL?
“Sim, sem dúvida. Mas os nossos melhores alunos são atraídos pelos grandes centros urbanos e até pelo estrangeiro onde conseguem melhores remunerações e melhores condições de trabalho, face aos conhecimentos e competências pessoais e profissionais aqui adquiridas. Mas é um orgulho muito grande sempre que vou a um restaurante ou outra instituição e vejo o sorriso de um ex-aluno da EPE.”
PORQUE É ACHA QUE OS FORMANDOS DEVEM ESCOLHER A EPE PARA CONTINUAR OS SEUS ESTUDOS E AQUI ADQUIRIR COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS?
“Penso que os jovens vão continuar a preferir a nossa escola pelo bom projeto educativo que lhes apresentamos, pelo ótimo relacionamento entre professores e alunos, pelo excelente corpo docente e pelos profissionais das diferentes áreas profissionais que aqui lecionam as disciplinas práticas. Convém referir que 50% das aulas são práticas e que os jovens gostam essencialmente dessas aulas, principalmente porque elas são lecionadas por pessoas vindos das empresas, facto que permite uma ligação muito mais próxima ao mundo do trabalho.
Também porque nós nos preocupamos, em primeiro lugar, com os alunos e os seus problemas mesmo os mais pessoais. O nosso lema é formar bons alunos, bons profissionais, bons cidadãos.”
ESCOLA DE MÚSICA DE ESPOSENDE
ESTA ESCOLA TEM VÁRIAS VERTENTES. O ENSINO DA MÚSICA E OS COROS. CORO DOS PEQUENOS CANTORES E CORO ARS VOCALIS. O CORO DOS PEQUENOS CANTORES TEM DESENVOLVIDO UM EXCELENTE TRABALHO, TENDO ATUADO EM GRANDES PALCOS NACIONAIS E VISTO O SEU TRABALHO RECONHECIDO. LEMBRO-ME DA ATUAÇÃO EM MAR, AQUANDO DA VISITA DO SR. PRESIDENTE DA REPUBLICA.
QUEM DIRIGE A ESCOLA DE MÚSICA?
“A Direção da Zendensino.”
ONDE FUNCIONA?
“Funciona em Esposende na Casa da Juventude e em todas as escolas do concelho com ensino articulado.”
QUANTAS PESSOAS TRABALHAM NA EME?
“Na escola de música trabalham 29 pessoas”
QUANTOS SÃO PROFESSORES?
“Professores na escola de música são 24.”
QUANTOS ALUNOS TEM ATUALMENTE?
“Na totalidade são 370 alunos. Dos quais 284 em regime articulado, 41 em iniciação musical e os restantes em regime livre. ”
EXISTEM ALGUMAS CARÊNCIAS NA ESCOLA DE MÚSICA DE ESPOSENDE?
“Temos identificadas algumas carências na EME, desde equipamentos até o financiamento que tarda em chegar e já agora … o bom senso que nunca é demais.”
QUE FUTURO PERSPETIVA PARA A ESCOLA DE MÚSICA E OS SEUS COROS?
“O futuro desta escola como de todas as outras passa, em primeiro lugar, pela existência de financiamento e depois pela existência de alunos.”
A TERMINAR NÃO PODIA DEIXAR DE O QUESTIONAR SOBRE A SOLUÇÃO ENCONTRADA PARA A POLÉMICA DAS AMEAÇAS DE DEMISSÕES VERIFICADAS NUM PASSADO RECENTE NOS COROS DA EME. É DE CONHECIMENTO PÚBLICO QUE AS SITUAÇÕES FORAM SOLUCIONADAS E QUE A ESTABILIDADE VOLTOU.
AFINAL O QUE É QUE SE PASSOU SENHOR PRESIDENTE?
“Francamente, ainda hoje não sei bem o que se passou. Em minha opinião apenas houve muita celeuma e, é claro, alguns interesses inconfessáveis de protagonismo político para uns e pessoal para outros. O futuro o dirá.
À direção interessa, em primeiro lugar, colocar a escola em funcionamento, dar as melhores condições possíveis de trabalho a toda a gente: alunos, professores e funcionários. Depois, tivemos que encontrar financiamento para pagar vencimentos pois, praticamente desde Junho, que não recebemos as respetivas comparticipações do Estado Português. Esta é uma vantagem em ter as duas escolas na mesma entidade proprietária, pois assim podemos gerir os recursos financeiros com maior racionalidade. Se não estivessem juntas na Zendensino a EME teria, possivelmente, 4 ou 5 meses de ordenados em atraso como tem outras escolas de música do país. Basta ver o que se diz na comunicação social.”
CONSIDERA PORTANTO QUE AS SOLUÇÕES ENCONTRADAS GARANTEM O FUTURO DOS COROS?
“Como Presidente da Direção reafirmo que nunca esteve em causa a continuidade dos coros e, muito menos, da EME. Os coros tem a sua existência garantida com o financiamento da Câmara Municipal e, para a escola, temos o Contrato de Patrocínio válido para 3 anos. Não sei de onde surgiu a ideia de instabilidade ou de insustentabilidade.
Dificuldades existem em todas as instituições. Nós não somos exceção. O ano passado, tivemos um corte no nosso orçamento de quase 35%, este ano foram 15%. O que fazer? Só racionalizar custos. Cortar vencimentos não podemos, nem queremos. Para ter os melhores professores temos que lhes pagar de acordo com a Lei. No futuro, se continuarem estes cortes orçamentais, teremos que conseguir outras fontes de financiamento, mas, para já, temos condições de continuar e honrar todos os nossos compromissos.”
UMA ÚLTIMA PALAVRA PARA… TERMINAR ESTA CONVERSA
Para terminar gostava de deixar uma palavra de apreço a todos os colaboradores da Zendensino sejam da EPE sejam da EME na certeza de que ninguém é mais importante que a própria instituição que servimos. Também para todos os nossos alunos e seus encarregados de educação sem esquecer os antigos alunos que hoje são os nossos melhores embaixadores junto dos jovens, nossos futuros alunos, é um orgulho fazer parte desta enorme família. 
Queria também homenagear todos os que até agora contribuíram para que esta cooperativa e as escolas que administra tenham a dimensão que hoje têm e entre todos duas pessoas que em tempos e funções diferentes foram e são muito importantes para estas escolas, o Padre Armindo Abreu que iniciou todo este projeto e o Dr. Albino Penteado Neiva que lhes deu as asas com as quais e nas quais hoje voamos.
NOTA FINAL
Conheço o meu caro amigo Dr. Conde praticamente desde que preside à Zendensino, em especial a sua presença na Escola Profissional de Esposende. Um homem sempre bem-disposto, com quem dá imenso gosto conversar. Nas muitas vezes que pelas mais variadas razões nos temos encontrado, há sempre algo de novo de que falar, sejam projetos do meu amigo, sejam meus. O Dr. Conde é uma pessoa que demonstra um grande à vontade naquilo que diz e naquilo que faz e que demonstra uma grande capacidade de diálogo e de trabalho. Nota-se que vive muito intensamente a presidência desta que é uma das mais importantes instituições de ensino do nosso concelho.
Meu caro amigo Dr. Conde, muito obrigado por mais esta agradável conversa e pela forma como sempre me trata. Estou certo que este foi o melhor momento para a realização desta entrevista e que a leitura da mesma vai ser do interesse de toda a comunidade.
Desejo-lhe, a si enquanto presidente, as maiores felicidades e à Zendensino, à Escola Profissional de Esposende e à Escola de Música de Esposende, os maiores sucessos. Continuem como até aqui, a formar bons profissionais e a dar boa… música!
Obrigado pela amizade que sempre me dispensa, na certeza de que também deste lado está alguém que o admira e retribui com elevada estima e consideração. Um abraço, forte.
Mário Fernandes.

09-01-2016







domingo, 17 de janeiro de 2016

BENJAMIM PEREIRA REDISTRIBUIU PELOUROS NA CÂMARA MUNICIPAL DE ESPOSENDE


O Presidente da Câmara Municipal de Esposende, Benjamim Pereira, procedeu à redistribuição das áreas funcionais da Autarquia, medida que marca a entrada na segunda fase do mandato e que passa por “adequar cada área às características intrínsecas de cada vereador, por forma a obter uma maior eficácia, eficiência e racionalização no desempenho das suas funções”.

Para além da redistribuição de áreas funcionais, definida em total consonância com os seus vereadores, Benjamim Pereira entendeu criar outras, nomeadamente Gestão de Projetos, Fundos Comunitários, Comunicação e Marketing Territorial, Gestão e Manutenção de Infraestruturas e Recursos Humanos.

Nesta segunda fase do mandato, o Presidente da Câmara Municipal chama a si Gestão Urbanística, gerindo também as áreas da Gestão de Projetos e Obras Municipais, Comunicação e Marketing Territorial, Gestão Financeira e Fundos Comunitários, Ordenamento do Território, e Juntas de Freguesia.

No quadro das alterações implementadas, Benjamim Pereira transferiu para o Vice-Presidente, António Maranhão Peixoto, o Desenvolvimento Económico, área que estava sob a sua alçada e que constitui um dos vetores primordiais do seu programa eleitoral. Para além de manter as áreas funcionais Energia (anteriormente designada Iluminação Pública), Mobilidade, Proteção Civil e Segurança, e Florestas, Maranhão Peixoto assume também as da Agricultura e Pescas, Comércio e Indústria, e Mercados e Feiras.

Até aqui sob a responsabilidade do Presidente, as áreas da Administração e do Ambiente foram transferidas para a Vereadora Raquel Vale, que passou a assumir também a dos Recursos Humanos, mantendo as da Coesão Social, da Saúde Pública, e da Qualidade e Modernização Administrativa.

Por seu lado, o Vereador Rui Pereira fica responsável pela nova área Gestão e Manutenção de Infraestruturas, continuando a gerir as do Turismo, Desporto, Juventude e Transportes, sendo que a Vereadora Jaqueline Areias se mantém à frente da Educação e da Cultura.


Consciente dos compromissos assumidos perante o eleitorado e focado no rumo que traçou para o concelho, Benjamim Pereira confia totalmente nas mudanças operadas. “Estas alterações garantirão um ainda melhor desempenho da minha equipa na prossecução dos objetivos que delineamos em prol do desenvolvimento e crescimento do concelho e do bem-estar de toda a população”, afirma o Autarca, assegurando que “mantemos o mesmo empenho e determinação em continuar a fazer de Esposende um concelho de referência”.
Fonte: CME


Boa sorte a todos os protagonistas nos seus novos pelouros.

MF


sábado, 16 de janeiro de 2016

FUNDAÇÃO JOSÉ RODRIGUES NO PORTO



Na Fábrica Social do Escultor José Rodrigues, no Porto. Já conhecia o artista José Rodrigues e o seu atelier no Convento de Cerveira e hoje tive o prazer de conhecer a sua filha Ágata Rodrigues, responsável pela Fundação. Fiquei honrado com o convite que me fez para lançar aqui, neste magnífico espaço, o meu próximo livro. Uma situação que vou equacionar. Recomendo esta visita.

MF




















sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

COSTA VAI REDUZIR PARA AS 35 HORAS O HORÁRIO DA FUNÇÃO PÚBLICA


Justifica-se. De todo. Como todos muito bem sabemos, os funcionários públicos produzem muito mais que os do privado, podendo muito bem fazer em 35 horas aquilo que faziam nas 40 horas. E depois também é por demais sabido que no geral as funções dos trabalhadores do Estado são muito mais cansativas do que no setor privado.

Estamos no bom caminho!!! Ai estamos, estamos. Deve ser por isso que já ouvi funcionários públicos afirmar-se em divida com António costa, por não ter votado nele.

E que tal se houvesse igualdade entre público e privado? Em horários, vencimentos, regalias e obrigações?

Diz o PM, hoje no Parlamento "Tenho a certeza, é minha profunda convicção, que conseguiremos pôr tão rapidamente quanto possível em vigor as 35 horas para todos os setores da administração pública, garantindo, como está no programa do Governo, que isso se faça sem o aumento dos custos".

Quanto a isso esteja sossegado senhor PM. Ainda vai poupar na conta da água, da luz e do telefone.

MF


quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

ÉS GRANDE, PAULO GONÇALVES!


És grande, Paulo Gonçalves. És enorme!


O infortúnio [e algumas injustiças pelo meio] levaram o nosso campeão a sair prematuramente deste Dakar. Tiveste sempre e como sempre, um comportamento exemplar e irrepreensível. Importa que recuperes rápido e que voltes, porque muitas outras conquistas te esperam. Reforçaste a imagem que já todo o MUNDO tinha, de um homem simples, com sentimentos nobres e de um grande lutador. Honraste Esposende e Portugal, bem como o desporto e o motociclismo. Anda rápido daí amigo. Conta connosco no aeroporto para te receber calorosamente. Bem mereces. Um abraço, forte.


MF


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

ESCOLA DE MÚSICA DE ESPOSENDE CANTOU OS REIS NO QUARTEL DOS BOMBEIROS DE ESPOSENDE



Fantástica “Audição de Reis”, este final de tarde, pela Escola de Música de Esposende no Salão Nobre do Quartel dos Bombeiros Voluntários de Esposende.


As minhas felicitações para os Coros da EME e para os seus responsáveis, Carlos Pinto da Costa, Helena Isabel Venda Lima e Gonçalo Jaques.



MF


domingo, 10 de janeiro de 2016

ESPOSENDENSE JONINHAS VILAR VICE-CAMPEÃO DO OPEN TOYOTA KARATE DE ESPANHA



JONINHAS VILAR VICE-CAMPEÃO DO OPEN TOYOTA KARATE DE ESPANHA-OVIEDO


No dia 09 de janeiro aconteceu o OPEN TOYOTA KARATE em Oviedo-ESPANHA, uma grande prova de karaté que lotou um belíssimo pavilhão gimnodesportivo em Oviedo. O atleta da BUSHIDO AK, Joninhas Vilar, realizou mais uma excelente prestação internacional, no escalão cadetes -55kg, alcançando o vice-campeonato da prova.

Uma referência muito especial à estreia internacional do atleta Fernando Albuquerque, que com apenas 7 anos, e combatendo num escalão acima do seu, conseguiu um brilhante 5º lugar.




Parabéns ao Joninhas e ao Fernando.

Força, campeões.

Um abraço, forte.
MF

sábado, 9 de janeiro de 2016

A MINHA HOMENAGEM AO ARLINDO



O Arlindo Faria Ribeiro foi um homem com quem tive o privilégio de privar. Concorreu à presidência da Junta de Freguesia em 2005, tendo estado durante esse mandato de 4 anos na Assembleia de Freguesia. Um homem extremamente educado, sempre bem disposto e com um grande sentido de responsabilidade que sempre quis o melhor para a freguesia. Nunca teve problemas em aprovar as propostas da Junta que liderei, apesar de na altura representar uma força politica diferente. Tivemos muitas conversas sobre assuntos diversos, tendo sempre uma postura de grande respeito e diálogo. Um homem simples, com quem sempre gostei de conversar, tanto nas lides autárquicas como sempre que passei pelo seu café.

Bem-haja, amigo Arlindo.

A minha solidariedade com todos os familiares, em especial a sua esposa Rosa, o filho Ricardo e a filha Bárbara Cristina. Também aos pais, o Sr. Augusto e a Dona Margarida.

Um abraço.
Mário Fernandes


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

À CONVERSA COM O "SÉRGIO DO FÔJO"




SÉRGIO DO FÔJO HÁ MAIS DE 4O ANOS A ANIMAR A NOITE FANGUEIRA. MÚSICO, POETA IRREVERENTE E TROVADOR.
“Quero ser livre, já que o meu espírito é selvagem”
Alberto Sérgio Cardoso de Sousa, o popular «Sérgio do Fôjo», nasceu em Fão no dia 17 de maio do ano de 1948. Com residência em Esposende, onde passa mais tempo é em Fão na sua taberna típica, o FÔJO.
Casado com D. Carminda tem 4 filhos; A Mónica, o André, o Sérgio e a Maria Betânia. O "Sérgio do Fojo" é uma figura carismática, com cabelos ao vento e barba grisalha, surpreende-nos pelas palavras e pela sua forma de estar, baseada numa filosofia de vida única. Admirado por muitos, gere uma das tabernas mais típicas do norte do país, onde recebe imensos turistas e visitantes.
Foi serrador e pescador. Ainda hoje tem o seu barco, com o qual pesca, embora o tempo disponível já não seja o mesmo. A sua vida essa dedicou-a quase em exclusivo ao bar mais popular da foz do Cávado, implantado a poente e a sua da ponte de Fão. Não deve haver ninguém que desconheça a existência, há largos anos, deste espaço de lazer e de restauração.
O facto de apenas ter feito a quarta classe, não o impede de escrever magníficos versos, que depois canta e dedica a alguém. Fui surpreendido com o arquivo de poemas e outros textos guardados em duas enormes caixas. Vi alguns, apenas os últimos e achei-os muito interessantes. “Todos meus e todos originais”, como referiu o seu autor.
Optei por fazer esta entrevista agora, depois de passar algum tempo da polémica envolta na intenção das autoridades para mandar demolir esta taberna tradicional. Andaram por cá as televisões, os jornais e na internet muito se comentou. Foram criadas petições de apoio ao Sérgio e as discussões foram mais que muitas. Houve ainda lugar para uma manifestação, junto ao Fôjo que juntou cerca de um milhar de pessoas.
Vamos então conhecer um pouco melhor o amigo Sérgio, uma das figuras mais populares do nosso concelho, ainda há bem pouco tempo com os holofotes dos “média” em cima, devido à hipotética ordem de despejo do Fôjo.
As questões que se seguem são aquelas que a maior parte do público nunca viu respondidas. Algumas talvez nunca lhe tenham sido colocadas, outras porque estão aqui respondidas com maior profundidade. Acho que tive a sorte de apanhar o meu entrevistado de hoje num dia de inspiração excecional e com um à vontade e uma paz de espírito tocantes.
UM HOMEM SINGULAR… E PORTISTA
“Sou do Futebol clube do Porto.”
O QUE É QUE MAIS GOSTA DE FAZER?
“Gosto de conversar e de beber um copo. Adoro animar as pessoas. De as fazer felizes. Gosto de tocar e de cantar na minha taberna e de ter as pessoas animadas.”
“FESTAS DOS PESCADORES” TIVERAM INICIO NO FÔJO
“Foi aqui no meu bar que se realizaram, por minha iniciativa, as festas dos pescadores do concelho de Esposende. Dei de comer a todo o mundo, dia e noite. Convidava todas as entidades ligadas ao rio, ao mar e à pesca. Também convidei as autoridades locais. Realizaram-se aqui corridas de barcos e atribuí condecorações a muitos pescadores. As duas primeiras festas foram realizadas aqui. Depois mudaram-nas para Esposende.”
PORQUE É QUE FORAM MUDADAS PARA ESPOSENDE?
“Porque foram um sucesso e politicamente aproveitaram-nas e levaram-nas para Esposende. E sabe, nunca me convidaram para a Festa do Pescador que levaram precisamente daqui para a cidade.
SE FOSSE CONVIDÁDO ÍA?
“Claro que ia. Eu iniciei-as e gostei que tivessem seguimento. Agora até já são feitas em Fátima.”
O SÉRGIO AINDA TEM O SEU BARCO. CONTINUA A PESCA?
“Sim. Pesco lampreia e solha, mas distraio-me muito. Já não tenho idade para isso.”
FREQUENTA O “CANTINHO DO PESCADOR”?
“Não. Esse espaço devia estar aberto e ter condições mínimas para as pessoas poderem ir para lá. Está sempre fechado.”
O “FÔJO” EXISTE DESDE O ANO DE 1974
“O Fojo nasceu ali onde eu nasci. A minha mãe dizia que fui feito ali e que foi ali que nasci. O Fôjo já tem mais de quarenta anos e foi sempre aprovado por todas as instituições. Quando comecei a construir o Fôjo, pensava fazer e desfazer todos os anos. Acontece que fi-lo e os pescadores começaram a aparecer e a ajudar e então fui aumentando e melhorando.
As primeiras licenças de funcionamento eram anuais e sempre me foram renovadas. Foi aqui que, primeiro os pescadores e depois outras pessoas se juntavam para descontrair e conviver.”
A CONSTRUÇÃO DO FÔJO
“Comecei a construir aos bocadinhos. Plantei vegetação para proteger dos ventos, para decorar e para reduzir o impacto visual. Este trabalho foi feito por mim, com a ajuda pontual de alguns dos pescadores que andavam por aqui comigo. A manutenção foi sempre feita por mim.”
COMO COMEÇOU O FÔJO?
“Começou por ser o sítio onde os pescadores montavam a estacada, em frente ao rio onde se apanhava a lampreia. Os pescadores juntavam-se aqui, onde convivíamos e bebíamos uns copos. Hoje é o que toda a gente sabe. Um espaço onde as pessoas se juntam para beber uns copos, contar histórias, conviver e ouvir umas serenatas.”
AS NORTADAS DO FÔJO
“FIZ MAIS DE MIL FESTAS DE HOMENAGEM AOS PESCADORES”
“Muitos pescadores que passaram por aqui seguiram a sua vida e muitos deles, com a experiência daqui, foram abrir os seus próprios negócios. Fico contente quando os vejo a ter sucesso nos seus negócios. É bom para eles e para as famílias deles.”
1.000 PATOS NAS MARGENS DO CÁVADO
CONTE-ME LÁ A HISTÓRIA DOS MIL PATOS.
“Comprei mil patos com apenas um dia de vida. Ainda andam alguns por aí, porque eles reproduzem-se com facilidade. Soltei-os mas recolhia-os diariamente. No primeiro dia comeram um saco de produto, ao fim de dez dias já comiam dez sacos e ao fazer um mês eram vinte sacos, o que se tornou incomportável. Passado um ano, já adultos, na fase primaveril soltei-os de vez. Alguns já pesavam cerca de cinco quilos.”
DE ONDE LHE VEIO A IDEIA PARA COMPRAR E TRAZER OS PATOS PARA AQUI?
“Quando era criança tínhamos patos lá em casa. Deu-me saudades e pronto. E sabe os patos atraíram até esta zona milhares de pessoas. Então as crianças deliravam com os patos. Ao mesmo tempo também ajudei na preservação do ambiente.”
MAS NA ALTURA FALOU-SE QUE AS AUTORIDADES ESTARIAM CONTRA. É VERDADE?
“Sim. Começaram a questionar, dizendo que os patos podiam vir desequilibrar o ecossistema. Sabe, os patos não comem peixe. Até os partidos políticos se quiseram meter nisso. A maior parte apoiou-me, porque viam-nos como mais uma atração turística e na verdade os patos não faziam nenhum mal, nem à natureza, nem ao rio, nem a nada. Habituei-me a defender-me.
”SABE, JÁ A MINHA MÃE ME DIZIA: FILHO PÕE-TE DURO”
“Posso-lhe dizer que eu sou um dos principais defensores do ambiente, aqui nesta zona.”
E A ETAR CONSTRUIDA EM FRENTE AO FOJO MESMO AO LADO DA PONTE. O QUE LHE PARECE?
“Sou totalmente contra, como acho que será quase toda a gente. Eu acho que as autoridades locais se deveriam ter oposto aquilo. Para mim, aquilo é um atentado. Se reparar tem sido escritas ali algumas frases de descontentamento. A última diz «PETRÓLEO EM FÃO. ESTAMOS RICOS»… gargalhadas...”
VOLTEMOS AO FÔJO. NESTA ALTURA JÁ NÃO ME PARECE IMPORTANTE ABORDAR A QUESTÃO DA RECENTE POLÉMICA DA DEMOLIÇÃO, MAS NÃO PODEMOS DEIXAR DE RESUMIR AQUILO QUE SE TERÁ PASSADO.
“Foi mais um dos processos muito custosos para mim. Recebi uma carta a dar-me quinze dias para demolir e fiquei transtornado com aquilo. O que fiz foi tornar esta situação pública e logo senti a solidariedade de muita gente. Amigos, clientes, conhecidos e desconhecidos e na internet logo apareceram grandes movimentos de apoio à conservação do Fôjo. Fui à Câmara com a minha filha Mónica e fizemos questão de levar toda a documentação, porque eu arquivo sempre tudo e mostrámos na Câmara. Todos os papéis dizem que estamos legais. Reunimos com o senhor Presidente da Câmara, Arq.º Benjamim Pereira, que se mostrou disponível, dizendo que a Câmara apenas reencaminhou uma comunicação que recebera de outra entidade pública, a Agência Portuguesa do Ambiente, mas que estava totalmente disponível para colaborar, garantindo também a defesa do espaço. Acho que no final tudo acabou em bem.”
MANIFESTAÇÃO JUNTOU CERCA DE MIL PESSOASS EM DEFESA DO FÔJO. FOI O SÉRGIO QUE CONVOCOU ESSA MANIFESTAÇÃO?
“Não. Eu não convoquei nada. Formou-se, foi uma grande onda de solidariedade com as pessoas a aparecerem e a mostrarem-me todo o seu apoio. Cidadãos anónimos, figuras públicas, políticos, partidos, todos se manifestaram a favor da continuação da minha taberna. Fiquei muito comovido. Não tive como agradecer às pessoas.”
FECHADO ESSE EPISÓDIO, ACHA QUE O FÔJO DEIXOU DE ESTAR EM PERIGO?
“Eu sei que o Fôjo tem carências e reconheço-o. Eu quero melhorar, tal como sempre o fiz. É uma taberna tradicional. Os turistas estão fartos de casas que não lhes dizem nada. Tudo de azulejo, tudo igual e chegam aqui e acham piada.
A decoração com cordas, os bancos em madeira e as pessoas sentem-se à vontade. Sabe só não quero aqui drogas. Sempre estive atento e tive esse cuidado. Agora, mais copo, menos copo…”
DE ONDE VEM OS PRINCIPAIS CLIENTES?
“A maioria são portugueses, porque esses vem cá todo o ano. Vem gente de todas as classes e profissões. Gerentes bancários, empresários, trabalhadores, pescadores, estudantes, políticos, vem cá muita gente.”
E ESTRANGEIROS? SEI QUE TAMBÉM VEM CÁ MUITOS. DE ONDE VEM?
“Austríacos, holandeses, Suecos, Alemães e Franceses. Vem turistas de outros países mas talvez os que referi seja de onde vem mais. Muitos são-me fieis. Vem cá todos os anos.”
QUAL É O HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO?
“Aberto durante todo o ano, ao fim de semana. No verão abro diariamente, mas sempre só à noite. De dia abasteço e à noite abro ao público.”
O QUE É QUE SE SERVE NO FÔJO?
“Camarão, atum, bacalhau, churrasco, de tudo um pouco. E boa pinga, claro.”
A MITICA «BOTA D’ÁGUA»
“A bota d’água é a especialidade da casa. É uma bebida servida numa caneca de litro, feita por mim.” COM QUE INGREDIENTES? “A composição é segredo de estado, meu amigo….” risos…
E A ANIMAÇÃO?
“A animação é feita por mim. Toco viola, guitarra e canto. Gosto de dedicar poemas a pessoas e a terras. Já dediquei poemas a Fão, a Apúlia, a Fonte Boa e a muitas outras terras”
UMA TABERNA DE UM HOMEM COM UMA FILOSOFIA DE VIDA MUITO ORIGINAL E MUITO PRÓPRIA
“Os clientes sentem-se bem aqui. Muitos vem até cá, convivem, divertem-se e vão se embora. Alguns dali a pouco voltam, quando eu pensava que já se tivessem ido, eis que voltam.”
SEI QUE JÁ PASSARAM POR AQUI CANTORES FAMOSOS COMO SIMONE DE OLIVEIRA, RITA GUERRA, RÃO KYAO E OUTROS.
“É verdade. Já passou por aqui toda essa gente da música nacional. Cantaram cá, o que me deixou sempre muito contente. Também já cá esteve SAMUEL CABRAL, o guitarrista de passa por mim no Rossio.
Já cá esteve Manuel Monteiro, Alberto Figueiredo veio cá nas duas Festas dos Pescadores que aqui realizei, em 1993 e 1994, o atual presidente da Câmara também já cá veio, mas antes de ser presidente e muitas outras personalidades locais e nacionais.”
O SÉRGIO PARECE UM HOMEM MUITO SÓ. A QUE SE DEVE ESSE SEU ISOLAMENTO?
“Eu gosto de fazer as coisas sozinho, de contar apenas comigo. Às vezes é duro levar as coisas para a frente, mas eu não desisto. Não quer dizer que eu não gosta da ajuda dos amigos. O que eu não gosto é de estar a contar com eles. Assim nunca falho, porque apenas conto comigo, custe o que custar.”
UM DESEJO?
“Continuar a merecer a amizade das pessoas e a sua visita. Os sonhos são para quem está acordado. Quem dorme não sonha, está inconsciente.”
POETA E MÚSICO. UM VERDADEIRO TROVADOR
Deixo aqui alguns textos do Sérgio, tirados ao acaso de um dos dois caixotes cheios de escritos seus, em papel de toalha de mesa.
O amor é como a ciência da engenharia
E quando se esgota e não está certo,
Faz-se um novo projeto…
E nasce um novo amor!
Enquanto vivo,
Sinto que a morte não existe
E pensar nela é um desperdício
De tempo real!
Gosto do mar revolto
Porque me faz pensar
Nas crianças irrequietas
E na sua vida quando crescem!
E já será tarde
Quando se descobre que o casamento
É como uma lei imposta
Como uma ditadura quase escravizante
Que nos obriga a viver em… sociedade!
Não quero ir para o Céu quando morrer
Porque tenho medo das alturas
E me acabe o combustível
…No percurso!
Os Deuses num gesto inédito
Decidiram reunir num parlamento
E no congresso
Pôr fim às… guerras!
Admiro a imponência dos galos e a elegância
Quando impõem nas passadas a sua postura
Talvez cantem ou chorem,
Ao nascer do dia,
Mas a lei da sobrevivência
Diz-me que sou criminoso…
Por gostar deles!
Autor: Sérgio Sousa
NOTA FINAL
Conheço o meu caro amigo Sérgio há imensos anos. Há cerca de trinta anos, fui frequentador do «FÔJO», tal como acontecia com os muitos jovens que por ali passavam ao fim de semana. Mais do que um bar ou uma taberna típica, o Fôjo é um espaço de cultura cheio de histórias vivenciadas por um homem com uma filosofia de vida muito própria, onde impera o bem-estar, a descontração e a alegria ao som da guitarra tão bem dedilhada pelo Sérgio.
Também fiz questão de assinar a petição na internet contra a demolição do Fôjo, porque acho que o caminho deve ser outro o seja, a modernização da taberna. Assinei e escrevi lá o seguinte comentário: “O FOJO de FÃO faz parte do património material e imaterial de Portugal. Qual museu, qual sala de exposições; o Fojo é tudo isso e muito mais.
O FOJO é a casa das mais vivas tradições locais. 09h07 de 14/10/2015.”
Como curiosidade e mesmo a encerrar tenho que referir que a nossa conversa se dividiu em duas partes. A primeira conversa decorreu na cidade de Esposende, junto à sua casa, com o rio ao fundo. O enceramento da entrevista aconteceu neste bar mítico, banhado pelo Cávado, um espaço único, com uma decoração fantástica, repleto de versos e dedicatórias em todo o lado, qual delas a mais original. O Curioso mesmo é o facto de por mero acaso e sem marcação prévia a minha vinda ao Fôjo ter coincidido com um encontro casual da maior importância entre o Sr. Sérgio e o Arqº Benjamim Pereira, presidente da Câmara, aqui mesmo junto ao Fôjo. Ao chegar ao pé de mim, ainda algo emocionado, diz-me o Sérgio. Você trouxe-me sorte. Então não é que acabo de me cruzar aqui junto à ponte com o Sr. Presidente da Câmara, Arqº Benjamim (e outros membros da Câmara), que me tranquilizou quanto ao processo daqui do bar. Coincidências, Sr. Sérgio. Felizes coincidências!
Muto obrigado Sr. SÉRGIO. Adorei a conversa que tivemos e a forma franca e aberta como trata todas as questões. A sua sinceridade, a emoção e as lágrimas no canto do olho, marcaram-me. Desejo-lhe as maiores felicidades e que o “Fôjo” se modernize e perdure no tempo, enquanto ícone das margens da foz do nosso Cávado.
Obrigado pela amizade que me dispensa, que como sabe é reciproca.
Um abraço, forte.
VIVA 2016!
Que este ano de 2016 seja um ano de renovada ESPERANÇA. Que os nossos desejos e objetivos se concretizem e que os nossos sonhos se vão tornando realidade. O meu principal desejo é ter saúde. Com saúde tudo se consegue. Desejo a todos muita saúde e as maiores felicidades. Aos que habitualmente acompanham a minha intervenção e a minha escrita, um obrigado muito especial pelo incentivo que isso representa.
Vá lá, sejam felizes!
Mário Fernandes
02-01-2016




quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

PARABÉNS AOS BOMBEIROS DE ESPOSENDE PELOS SEUS 125 ANOS



Os meus parabéns à distinta «Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Esposende», pelo 125º Aniversário da sua fundação. A título pessoal, deixo aqui o meu muito obrigado a todos: Fundadores, Bombeiros, Comando, Dirigentes, Associados, Beneméritos, Benfeitores e Amigos. 125 anos são muitas vidas. Bem-haja a todos quantos serviram; Parabéns aos que servem e as maiores felicidades para toda a Corporação.




MF


sábado, 2 de janeiro de 2016

ENTREVISTA COM O SÉRGIO DO FÔJO ESTE SÁBADO NAS BANCAS. IMPERDÍVEL.




Esta entrevista com o «Sérgio do Fôjo» é imperdível e vai estar nas bancas este sábado, dia 2 de janeiro de 2016, no Notícias de Esposende. Nada ficou por dizer. Humilde como sempre, mas muito claro e com toda a frontalidade.


“Quero ser livre, já que o meu espírito é selvagem…"
"O Fôjo nasceu aqui onde eu nasci…"
"Comecei a construir aos bocadinhos..."
"A licença foi-me sempre renovada…"
"As Festas dos Pescadores começaram aqui…"
"Com as Nortadas do Fôjo homenageei centenas de pescadores…"
"Comprei mil patos com apenas um dia de vida…"
"SABE, JÁ A MINHA MÃE ME DIZIA: FILHO PÕE-TE DURO…"
"A Etar é um atentado a Fão…"
"A bota d’água é a especialidade da casa…"
"Os clientes sentem-se bem aqui…"
"Às vezes é duro levar as coisas para a frente, mas eu não desisto…"
"O FÔJO É A MINHA VIDA!"

Alguns excertos de uma entrevista onde não falta nada, inclusive, poemas escritos pelo meu entrevistado e nunca antes tornados públicos.

MF


sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

125º ANIVERSÁRIO DOS BOMBEIROS DE ESPOSENDE E TOMADA DE POSSE DOS NOVOS ÓRGÃOS SOCIAIS



DIA 6 DE JANEIRO DE 2016

125º Aniversário dos Bombeiros de Esposende

- Missa na Igreja Matriz de Esposende

- Momento histórico da Associação

- Batismo de uma nova Ambulância

- Tomada de posse dos novos Órgãos Sociais

PARABÉNS À ASSOCIAÇÃO E A TODOS QUANTOS A SERVEM.

Estão todos convidados.

MF