terça-feira, 28 de abril de 2015

À CONVERSA COM NORBERTO MOTA COMANDANTE DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE FÃO





NORBERTO MOTA, COMANDANTE DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE FÃO HÁ 15 ANOS, ESTÁ DE SAÍDA, POR FORÇA DA LEI, MAS DEIXA UM LEGADO DE EXCELÊNCIA
BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE FÃO COMEMORAM ESTE ANO O SEU 90º ANIVERSÁRIO
Norberto Manuel Pereira da Silva Mota nasceu em 15 de maio de 1950, na República Democrática do Congo, mas cedo veio para Portugal, onde chegou no ano de 1955. Casado tem 2 filhos, Com residência em Fão, frequentou a Escola Amorim Campos e o Liceu Nacional de Guimarães. Ingressou no ensino superior, na Faculdade de Medicina do Porto. Desempenhou funções no exército português, com a patente de oficial.
Estamos perante um homem que tem dado muito do seu tempo, talvez grande parte deste, às instituições fangueiras. Esteve no Clube Fãozense, no F.C. de Fão, na Junta de Freguesia e em várias outras associações culturais, recreativas e desportivas. Atualmente é Vice-Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fão, onde passa uma parte do dia e Comandante dos Bombeiros Voluntários de Fão, onde tem feito de tudo um pouco. Facilmente se percebe que se trata de uma pessoa que desinteressadamente tudo tem feito pelas instituições da terra, pelo seu desenvolvimento e pelo bem do próximo.
No quartel, onde decorreu esta conversa, de imediato percebi o carinho com que é tratado, tanto pelos mais novos como pelos mais velhos e não me refiro só aos bombeiros, mas também e muito, pelos associados, muitos que durante o dia por ali passam, seja pelo café, seja pelo átrio de entrada, onde discute-se de tudo um pouco. Futebol, cultura, o estado da «União» e claro está, o estado do país.
Nota-se que o quartel é um espaço de união e de encontro, onde convivem várias gerações. O bar é muito concorrido e na hora do almoço também serve um considerável número de refeições.
“ENTREI PARA AJUDAR E POR POUCO TEMPO MAS AINDA AQUI ESTOU”
“Entrei nos Bombeiros Voluntários de Fão, para ser por um período temporário e aqui estou eu ainda hoje. O interesse da instituição falou mais alto e eu não pude nunca dizer não”.
Norberto Mota está ligado aos Bombeiros Voluntários de Fão, na qualidade de dirigente, desde o ano de 1982 e ao Corpo dos Bombeiros desde 1993, tendo sido promovido a Ajudante de Comando logo nesse mesmo ano. Em 1994, frequentou e concluiu o Curso Básico de Comando, em Sintra, na Escola Nacional de Bombeiros.
O comandante refere “o excelente trabalho que também tem vindo a ser desenvolvido pelas sucessivas direções, destacando a atual, presidida por José Artur. Salienta ainda todos os Comandantes e demais pessoal que tem servido os Bombeiros e que merecem uma especial referência, porque é graças a todos eles que esta “casa” é hoje o que é, com esta grandeza e espirito altruísta e solidário”. A população de Fão também tem sido solidária e tem sabido responder aos apelos que vão sendo lançados, sempre que é necessária alguma atuação de maior grandeza, como seja a aquisição e a renovação de equipamento, ou a melhoria e ampliação das instalações. Não esquecendo as Juntas de Freguesia da sua área de atuação e a Câmara Municipal, que ainda no ano passado colaborou na aquisição de uma ambulância e cedeu-nos um terreno, da antiga Escola Básica das Pedreiras, que entretanto contamos negociar, para realizar verbas para a realização de obras no quartel.
VICE-PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO DOS BOMBEIROS DO DISTRITO DE BRAGA
Tendo ocupado vários cargos e em períodos diversos, funções na Federação Distrital. Atualmente desempenha as funções de Vice-Presidente da Direção, funções que lhe permitem viver mais de perto as realidades distritais das inúmeras Corporações, inteirar-se dos seus problemas e ajudar nas soluções possíveis. O seu currículo, onde os conhecimentos técnicos sobressaem e a sua forma de conduzir homens têm-lhe granjeado a simpatia dos seus pares.
BOMBEIROS COMPLETAM ESTE ANO O SEU 90º ANIVERSÁRIO
Os Bombeiros Voluntários de Fão tiveram a sua fundação no dia 27 de dezembro do ano de 1925, pelo que completam este ano o seu 90º aniversário. As comemorações já se iniciaram, tendo-se realizado já nas recentes festas do Senhor do Bom Jesus de Fão um encontro de Fanfarras, com a presença de grupos de 8 corporações.
Do programa constarão várias atividades e cerimónias a agendar e no final do ano ainda a realização da habitual consoada de Natal, com os Órgãos Sociais, Bombeiros e suas esposas no sábado e no domingo haverá a formatura geral, a missa, seguida de romagem ao cemitério e na parte da tarde outras atividades dedicadas aos filhos dos bombeiros.
PESSOAL
A Instituição tem um Corpo de Bombeiros distribuído da seguinte forma: Quadro de Comando, Quadro ativo, Quadro de especialistas, Quadro de reserva e Quadro de honra.
PARQUE DE VIATURAS
Os Bombeiros dispõem de uma frota considerável;
2 Barcos
5 Veículos de combate a incêndios (1 VRCI, 1 VFCI, 1 VUCI, 2 VLCI)
1 Veículo para desencarceramento (VSAT)
3 Ambulâncias Socorro (ABSC)
4 Ambulâncias Transporte (ABTD)
2 Ambulâncias transporte múltiplo (ABTM)
1 Veículo Auto comando (VCOT)
2 Viaturas Apoio (VOPE – Direção e Comando; VETA)
2 Viaturas de museu, uma Austin e uma Ford
AMBULÂNCIAS
A frota atual está bem equipada, embora a maior parte sejam antigas. Segundo a Lei, as ambulâncias devem ser renovadas a cada 5 anos, mas isso como facilmente se percebe e compreende não é possível por questões financeiras. Deve haver uma idade para validade, mas depois deve ser visto caso a caso, dependendo do uso e do estado de conservação, garantindo sempre a sua funcionalidade e segurança.
QUARTEL PRECISA DE UMA SALA DE FORMAÇÃO
“As verbas que conseguirmos com a negociação da Escola deverão ser aplicadas na melhoria das condições do quartel, que inclui a construção de uma nova sala de formação, que se situará por cima da garagem, junta á casa escola. Este quartel, tal como se encontra atualmente já está com 20 anos, por isso há sempre necessidade de alguma manutenção e de melhorias pontuais. A aposta na formação é uma constante e temos realizado formação para todos os nossos bombeiros. Em 2014 entraram 12 bombeiros e tivemos 11 bombeiros promovidos a bombeiros de 3ª e em 2015 contamos realizar várias formações nomeadamente recertificar grande parte dos elementos com o curso TAT e DAE.
OPERACIONALIDADE DOS BOMBEIROS TAMBÉM DEPENDE DA POLITICA DA SAÚDE DO ESTADO
“Não me refiro só aos subsídios, aos protocolos e a outras ajudas mas também no que concerne às práticas e metodologias adotadas pelo ministério da saúde, no que toca à assistência a doentes e sinistrados.
O facto de o governo obrigar a que a assistência a feridos, ou doentes seja prestada apenas nos hospitais públicos, com as idas a Braga, dificulta bastante o trabalho dos bombeiros. É que uma ida a Braga implica praticamente a ocupação de uma ambulância durante 2 horas. Fica uma ambulância e a sua tripulação impedida de realizar outros serviços por um período considerável, quando se houvesse protocolos com os hospitais de concelho, tudo seria mais rápido e a ocupação dos meios de socorro também seria mais eficaz e menos demorada. Com as Escolas passa-se a mesma coisa, qualquer acidente ou incidente nas nossas escolas obriga ao transporte para Barcelos ou Braga, de acordo com o grau de gravidade”
ZONA DE ATUAÇÃO DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE FÃO
A atual zona de atuação própria deste corpo de bombeiros inclui 6 freguesias do concelho de Esposende. Duas situadas a norte do rio Cávado e todas as que se encontram a sul. A norte, Gemeses e Gandra, a sul Fão, Apúlia, Fonte Boa e Rio Tinto.
Há ainda a registar a realização de um considerável número de serviços prestados a freguesias dos concelhos vizinhos de Barcelos e da Póvoa de Varzim. Também é habitual colaborar com os Bombeiros Voluntários de Esposende, sempre que estes precisem de auxílio, tal como o contrário também acontece. Norberto Mota aproveitou para salientar “o excelente relacionamento que existe com os Bombeiros de Esposende, o seu comandante Juvenal Campos e toda a corporação. O relacionamento é impecável e a colaboração também é permanente.
Depois ainda existem as solicitações do CDOS de Braga, que pode solicitar a prestação de serviços em missões da proteção civil e que pode estender-se a todo o território nacional.
MISSÃO DOS BOMBEIROS
Os bombeiros de Fão, tal como todos os demais, tem uma missão bastante diversificada e abrangente, na ajuda, apoio, defesa e proteção de pessoas, de bens e das próprias comunidades. De salientar a prevenção e o combate a incêndios; O socorro às populações, em caso de incêndios, inundações, desabamentos e, de um modo geral, em todos os acidentes; O socorro e transporte de acidentados e doentes, incluindo a urgência pré-hospitalar, no âmbito do sistema integrado de emergência médica; A emissão, de pareceres técnicos; A participação em outras atividades de proteção civil, no âmbito do exercício das funções específicas que lhes forem cometidas, protocolizada com a Câmara Municipal; O exercício de atividades de formação e sensibilização e a participação em outras ações e o exercício de outras atividades.
ATIVIDADE NO ANO DE 2014
4.320 Alertas
180.153 Quilómetros percorridos
6.135 Doentes transportados
12 Incêndios urbanos
73 Incêndios florestais
Os incêndios registaram-se todos fora da zona natural de atuação. Na atuação dos Bombeiros verifica-se a chamada triangulação, ou seja, o CODS, sempre que se verifiquem situações de necessidade, pode chamar as corporações mais próximas (Ex: Fão, Esposende e Barcelinhos).
ASSOCIADOS
A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Fão conta atualmente com cerca de 1.200 sócios efetivos, que contribuem anualmente com o valor aproximado de 15 mil euros. Há uma campanha de angariação de novos sócios que contempla um desconto de 50% para os menores de 18 anos de idade. Não existe joia de entrada e a quota anual é de 12€ por associado. A campanha tem sido muito feita nas várias freguesias, em eventos e nas suas festas, onde é instalada uma tenda com técnicos que prestam vários serviços, jornadas de sensibilização do voluntariado, rastreios de medição de tensão, medição da glicemia e outros. A inscrição da proposta de sócio pode ser feita nessas representações, no quartel, ou junto de um dos cobradores da associação que se encarregará de preencher o respetivo formulário.
Nos direitos dos associados, há uma diferenciação do valor dos serviços prestados entre sócios e não sócios, tendo os associados um desconto na ordem dos 10%, nos transportes, ou seja, o associado, paga pelo serviço apenas e só o valor que a corporação receberia do Estado.
OBJETIVOS A MÉDIO PRAZO
Norberto Mota ambiciona a criação de uma Equipa Intervenção Permanente”. Equipa composta por 5/6 elementos, disponíveis em horário laboral e só para a emergência. O Estado está disponível para custear em 50% dos custos e os restantes 50% ficariam a cargo do Município. Quanto aos Equipamentos de Proteção Individual florestal refere que foram fornecidos pela Câmara, apenas para parte do corpo ativo. Temos necessidade de mais destes equipamentos para que todos os bombeiros tenham possibilidade de ter um. Também temos necessidade de EPI para incêndios urbanos e industrias.
PRINCIPAIS CUSTOS NO ORÇAMENTO DOS BOMBEIROS
“Combustíveis e seguros das viaturas, porque o seguro dos bombeiros é suportado pela Câmara Municipal de Esposende. Para minorar os custos com os combustíveis, que ultrapassam as três dezenas de milhares de euros, optamos pela instalação de um depósito próprio com benefícios no custo de litro do gasóleo”.
PROTOCOLOS
CÂMARA MUNICIPAL DE ESPOSENDE
Este protocolo contempla a atuação no âmbito da proteção civil, ao abrigo do qual recebem anualmente a quantia de 17 mil e quinhentos euros.
SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE FÃO
Contempla o transporte dos utentes do Lar e em contrapartida consultas para os bombeiros e fornecimento de consumíveis para as viaturas de saúde.
ESCOLA PROFISSIONAL DE FÃO
Prestação de apoio e colaboração, cedência de salas para formação, componente informática e acesso ao bar, para refeições dos alunos.
AS SUGESTÕES DO COMANDANTE
“Olhando às constantes dificuldades de financiamento por parte do governo central e da própria autarquia, a que acresce a atual crise financeira, parece-me de equacionar a possibilidade de criação pelo Município de uma taxa de proteção civil no valor percentual a cobrar no IMI. Esta receita reverteria única e exclusivamente para a Protecção civil municipal, dessa receita 80% reverteria para as duas Associações de Bombeiros o que permitiria as suas direções a possibilidade de suprir algumas das dificuldades financeiras que têm para garantir a segurança das sua populações, com segurança, eficiência e em prontidão.”
FANFARRA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE FÃO
A FANFARRA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE FÃO, foi criada em 1996, é composta por 31 elementos, tem tido várias atuações em vários encontros de fanfarras integrados nos diversos aniversários das associações de bombeiros, em procissões e festas...
…E O FUTURO?
Uma vez que este é ano de eleições, estando o comandante prestes a deixar o cargo, por imposição da lei, devido à idade, na possibilidade de o atual presidente da direção, José Artur, não se recandidatar, será que estou perante um possível candidato ao cargo e futuro presidente da direção?
Em resposta Norberto Mota, a custo, lá me foi respondendo que a questão por enquanto não se coloca, por isso não pensou nessa situação e, que o seu único objetivo sempre foi e será servir a instituição e que no futuro logo se vê. “Isso não me preocupa, seja aquilo que os associados quiserem”.
O comandante Norberto Mota a terminar ainda deixou uma palavra de agradecimento a toda a corporação, bombeiros, demais pessoal, órgãos sociais, em especial ao 2º comandante Joaquim Soares e ao Adjunto de comando, Miguel Pereira, por toda a colaboração e apoio e por com ele contribuírem para o crescimento dos Bombeiros Voluntários de Fão e pela excelência do trabalho que prestam em prol da população. Fazendo também um apelo para que os jovens se inscrevam nos bombeiros e sejam voluntarios.
OBRIGADO, COMANDANTE!
Caríssimo Amigo, Comandante Norberto Mota, meu conhecido das inúmeras reuniões em que participamos, eu na qualidade de autarca de freguesia, o comandante nessa mesma qualidade, o meu muito obrigado por tudo que tem feito por esta instituição e por muitas outras instituições e associações.
Muito obrigado pela forma amiga como me recebeu. Desejo-lhe as maiores felicidades e os maiores sucessos.
NOTA FINAL:
PARA A EVOCAÇÃO DO “25 DE ABRIL”
Celebra-se hoje, precisamente no dia que este jornal chega às bancas, o 41º aniversário da «Revolução de Abril».
Esposende promove “Vivências de Abril” e “Dar as Mãos em Abril”. Dois eventos de especial importância para recordar aquela que foi a revolução que nos devolveu a Liberdade, restaurou a Democracia e instituiu o Poder Local. Abril nunca pode deixar de ser recordado porque como se tem visto, há valores que não estão garantidos em permanência e em definitivo. Temos que estar sempre atentos, vigilantes e interventivos, na defesa de valores como, a Liberdade, a Democracia, a Paz e a Justiça Social.
Mário Fernandes;
25-04-2015



sábado, 25 de abril de 2015

FÓRUM MUNICIPAL DE ESPOSENDE REPLETO NA APRESENTAÇÃO DO LIVRO «CRÓNICAS DE MÁRIO FERNANDES»



Caras Amigas e Amigos. Um obrigado muito especial a todos sem exceção. Adorei a sessão de apresentação do meu 1º livro de Crónicas. Foi bonito ver o Fórum Municipal de Esposende repleto. Esteve tudo excelente; Momento musical a abrir, intervenções e ambiente geral. As mais de 2 centenas de livros, de entre vendas, ofertas e encomendas, logo no lançamento tem para mim um significado muito especial. É porque despertou o interesse da comunidade e esse é para mim um sinal de vale a pena escrever e intervir civicamente.

O meu sincero MUITO OBRIGADO. Um forte abraço.

























´





Muito obrigado. Um forte abraço.


quarta-feira, 22 de abril de 2015

À CONVERSA COM O JOVEM COMPOSITOR, MÚSICO E MAESTRO ESPOSENDENSE DIOGO COSTA



DIOGO COSTA, COMPOSITOR, MÚSICO E MAESTRO NAS PRINCIPAIS ORQUESTRAS PORTUGUESAS

JOVEM ESPOSENDENSE A CAMINHO DO CONSERVATÓRIO DE AMSTERDÃO

No seguimento das conversas informais, do tipo “entrevistas”, mas intimista, traga aqui hoje, mais uma conversa com um jovem cujas credenciais já são bem conhecidas de uma boa parte dos esposendenses. Principalmente daqueles que gostam de música e que acompanham o trabalho das nossas bandas e orquestras.

Diogo Costa nasceu no ano de 1989 na cidade de Esposende. Pai de Antas e mãe de Belinho, mora em Belinho mas não deixa de fazer vida em Antas. Percebi que o Diogo adora estas duas freguesias, pelo carinho com que fala de ambas e pela forma como gosta de se associar a elas, pelas raízes familiares e pelos amigos, muitos, que tem numa e na outra.

PERCURSO GENIAL
O Diogo iniciou os seus estudos musicais com 9 anos de idade na banda de música de Antas com os professores Gonçalo Jacques, Valdemar Sequeira e José Maciel na classe de Trombone, à qual pertence desde 2002. Neste ano ingressou na Escola Profissional de Música de Viana do Castelo, na classe de trombone com os professores Fernando Baptista e Gonçalo Dias, terminando o Curso de Instrumentista em 2007.

Prosseguiu a sua formação na Escola Superior de Música de Lisboa, na classe de trombone com o professor Ismael Santos e música de câmara com José Augusto Carneiro e Hugo Assunção. Durante este período, trabalhou com grandes maestros, como, Erneste Schelle, Josep Vicent, Kevin Wauldron, Javier Viceiro, Miguel del Castillo, Cesário Costa, Osvaldo Ferreira, Julian Lombana, Roberto Perez, Alberto Roque, Vasco Pearce de Azevedo, Sandor Gyudi, Luis Carvalho, Jorge Salgueiro, Luís Cardoso, Paulo Martins, Francisco Ferreira, Martin André, Laurence Marks, Jean-Marc Burfin, Nicolae Lalov, José Rafael Pascual Vilaplana de entre outros.

Frequentou Master Classes de trombone com Ricardo Casero, Jarret Butler, Hugo Assunção, Petur Eiriksson, Alberto Urretxo Zubillaga, Severo Martinez, Jon Etterbeek e Master Classes de Música de Câmara com Spanish Brass, Olga Prats e Pierre Dutot.

PRIMEIROS PRÉMIOS
Em Abril 2007 participou nas 1.ª olimpíadas da música organizadas pela AMVC e EPMVC onde lhe é atribuído o 2ª Prémio ex aequo na modalidade de Formação Musical e História da Música e, em dezembro de 2013, participou, como maestro assistente do maestro Boris Gruzin, na produção do bailado “Cinderela” de S. Prokofiev com a Orquestra Sinfónica Portuguesa e a Companhia Nacional de Bailado.

Tem colaborado com regularidade com importantíssimas orquestras, tais como: Orquestra Clássica da Madeira, Orquestra de Câmara Cascais Oeiras, Banda Sinfónica Portuguesa, Orquestra Momentum Perpétum, Orquestra Académica Metropolitana de Lisboa, Lisbon Film Orchestra, West European Studio Orchestra, Orquestra Sinfónica de Jovens de St. Maria da Feira, Orquestra de sopros APROARTE e, respetivas orquestras das escolas que frequentou.

Na área do Jazz tem trabalhado regularmente com a Big Band do Hot Clube de Portugal, Claus Nymark Big Band, Orquestra de Jazz da ESML e é, desde 2008, trombonista baixo da REUNION BIG JAZZ BAND, dirigida por Johannes Krieger em Lisboa e com a qual gravou em 2011 o primeiro álbum “Ouija”.

No campo da direção de orquestra, tem feito Master Classes com Filipe Carvalheiro, Lluis Vila, Rafa Agulló Albors, Laurence Marks, José Rafael Pascual Vilaplana, Jean-Sébastien Béreau, Douglas Bostock e Emilio Pomarico. Como maestro convidado, dirigiu a Orquestra do Algarve – Orquestra Clássica do Sul, a Orquestra Académica Metropolitana de Lisboa, a West European Studio Orchestra, a Orquestra Sinfónica da Escola Profissional de Música de Viana do Castelo e a Orquestra de Cordas dos alunos da Casa Pia de Lisboa (Colégios Nuno Álvares Pereira e D. Maria Pia – Lisboa).

PROFESSOR DE MÚSICA
Entre 2008 e 2011, ainda arranjou tempo para lecionar a disciplina de Formação Musical na escola de música da Banda de Antas, e a classe de trombone da escola de música da Banda Lanhelense.

Atualmente, Diogo Costa é licenciado em Direção de Orquestra pela Academia Nacional Superior de Orquestra da Metropolitana, na qual estudou com o conceituado pedagogo Jean-Marc Burfin e é, desde outubro de 2012, diretor musical e artístico da Banda de Música de Antas.

GOSTOS PESSOAIS
Música: adora o Jazz e agora, desde que se instalou em Lisboa, aprendeu a gostar de Fado. Gosta de correr e não dispensa o seu Benfica. Gosta de ler e acima de tudo, gosta de escrever… música. Sim porque o Diogo compõe muitas das suas músicas e músicas para outros músicos.

PRÓXIMAS REALIZAÇÕES
Em abril, vai dirigir o Ensemble MPMP – Movimento Patrimonial para a Música Portuguesa, em Lisboa;

Em maio, vai estar – de entre apenas dez músicos selecionados, no Royal Northern College of Music de Manchester, a frequentar um curso de direção para maestros;

No dia 30 de julho vai realizar-se um espetáculo no Largo dos bombeiros em Esposende, resultado de uma interessante parceria entre a Banda de Antas e o Coro dos Pequenos Cantores de Esposende;

“NESTE MOMENTO O MEU SONHO É INGRESSAR NO CONSERVATÓRIO DE AMSTERDÃO”
O Diogo conta ir já em setembro para o Conservatório de Haia - Holanda, para depois e logo que possível possa ver o seu sonho concretizar-se, com o ingresso no Conservatório de Amsterdão, na Holanda, para mais uma dura etapa no mestrado de 2 anos.

“Amsterdão está no top mundial, por isso trata-se de um destino de sonho para qualquer música jovem, ou menos jovem”.

ORQUESTRA JOVEM DE ESPOSENDE
Lembra-se com enorme gosto do concerto dado em Curvos, a meu convite, inserido num riquíssimo programa cultural que sempre desenvolvi, na apresentação da Orquestra Jovem de Esposende. Quando em tom de provocação anunciei ali mesmo a estreia da orquestra, que efetivamente se estreou nesse dia, com 2 atuações, referindo que de tarde tinha sido um ensaio geral em Belinho e a verdadeira estreia à noite em Curvos. Tive resposta pronta, “O ensaio geral desta tarde correu muito bem, tivemos a igreja paroquial de Belinho a abarrotar, tal como temos aqui em Curvos”, respondeu o maestro Diogo.

BANDA DE MÚSICA DE ANTAS
A Banda de Música de Antas é presidida, desde setembro passado por Jorge Neiva, tendo como maestro, há cerca de 3 anos o meu interlocutor de hoje, Diogo Costa, que já pertence à Banda há mais de 10 anos.

Trata-se de uma Banda histórica, com origem que se pensa remontar a 1870 e tal, pelo menos é o que nos dizem alguns dos estudiosos do tema. De qualquer forma, mais ano, menos ano, fica claro que se trata de uma agremiação musical que terá cerca de 150 anos, passando de geração em geração.
Atualmente o diretor artístico e maestro da Banda é o meu interlocutor, Diogo Costa, que com o seu profissionalismo, competência e dedicação dos músicos, tem levado a Banda à ribalta da sua longa história.

Desta escola nasceu a Orquestra de Sopros ABBVE, que participa em diversos eventos culturais e é a promissora garantia de que à Banda de Antas não vai faltar a frescura e a revitalização contínua de novos músicos.

A Banda dos Bombeiros Voluntários de Esposende, Antas, conta já com quatro gravações de C.D. e um D.V.D. Em 2011 editou o livro monográfico “Banda de Música de Antas – 140 anos de História” da autoria de Raul de Azevedo Saleiro, que é uma referência para as Bandas que existem ou existiram na região. Com cerca de 25 a 30 concertos anuais, lado a lado com as melhores bandas do país, conta no seu currículo com várias atuações além-fronteiras, nomeadamente em terras de França e Espanha.

A Banda é constituída por 78 elementos. A grande maioria são de Antas e de terras vizinhas, em especial de Belinho, São Romão de Neiva e de Forjães. Neste momento surgiu-me uma dúvida: Diogo há elementos que atuam em simultâneo na Banda de Antas e noutras Bandas? É verdade. “Há músicos que atuam na Banda de Antas, na de Belinho e em outras bandas da região como Vila nova de Anha, entre outras. As bandas acabam por ser a única fonte de dinheiro para alguns jovens músicos e esta é uma forma de poderem ir juntando alguns trocos durante o verão”.

NECESSIDADES DA BANDA DE ANTAS
Esta Banda vai sendo autossuficiente, uma vez que vive do seu trabalho e dos recursos que angaria nas suas atuações e no protocolo celebrado com o Município. Este protocolo permite-nos um encaixe anual de cerca de 12.500 euros por ano para a escola de música e, como contrapartida garantimos a realização de 2 a 3 espetáculos por ano, onde se incluem a Semana Santa e o 19 de agosto.

“A Banda tem necessidade de com alguma regularidade, digamos que anual, de ir adquirindo novos instrumentos. A percussão e as tubas foram renovadas recentemente. Neste momento temos a necessidade de adquirir um novo fardamento, porque o atual está a ficar muito gasto e isso começa a prejudicar a imagem da Banda. Temos atualmente cerca de 200 associados que pagam sensivelmente 20 euros por ano, mas que usufruem das regalias que isso lhes proporciona, embora quem sinta que é sócio, não o é para vir a lucrar financeiramente com isso, mas pelo prazer de pertencer a uma instituição centenária. Em termos de frota automóvel possuímos 2 viaturas, uma pesada, para o transporte dos instrumentos e uma ligeira para o transporte de músicos em pequenas deslocações. O transporte dos músicos em grandes deslocações é habitualmente feito em autocarro, alugado para o efeito, regra geral fornecido pelas comissões de festas ou organização dos eventos”.

A CONCORRÊNCIA É MAIS QUE MUITA
Aqui chegados notei alguma tristeza na face o Diogo. É que segundo afirma, também aqui a concorrência é mais que muita e há quase que um «salve-se quem puder». Segundo o Diogo “Há hoje uma feroz concorrência entre as Bandas e com a chegada ao Minho de bandas como as da zona de Aveiro, o mercado começou a ficar desequilibrado. Quer isto dizer que estas bandas começaram a baixar os preços de uma forma incompreensível, ponde mesmo em causa a sua própria sobrevivência. Só compreendo estes comportamentos, como sendo o resultado de algum desespero, levado a cabo essencialmente por bandas com outros patrocínios, pois de outra forma não sobreviveriam. A Banda da Trofa, a título de exemplo, perdeu o seu principal mecenas e logo se notou, pois deixou de ser aquela Banda com um prestígio inabalável. Outras há a quem aconteceu situação semelhante como e caso disso a Banda de Revelhe”.
“Noutros tempos, as comissões de festas procuravam as Bandas, para as contratar e incluir nos seus programas, hoje, são as Bandas que procuram as comissões de festas, para se oferecer para participar nas festividades e ao melhor preço”. A sociedade também está fortemente concorrencial, a música não foge à regra, digo eu.

BANDA DE ANTAS REALIZA TODOS OS ANOS UM JANTAR CONVÍVIO COM MAIS DE 400 CONVIDADOS.
Este jantar é um dos pontos altos, porque junta músicos, organização, associados, entidades e amigos da Banda. O convívio é uma mais-valia.

CASA DA MÚSICA DE… ANTAS
A Casa da Música de Antas é um importante ativo da Banda, permitindo-lhe trabalhar com condições de excelência. Ai funcionam os ensaios, uma escola de música e atuações diversos ensembles. A Escola de música conta atualmente com 60 alunos, repartidos pelos vários escalões. As idades estão compreendidas entre os 7 e os 18 anos de idade. A propina ronda os vinte e cinco euros por mês.

ESCOLA DE MÚSICA
Da escola de música nasceu a Orquestra de Sopros ABBVE, que participa em diversos eventos culturais e é a promissora garantia de que à Banda de Antas não vai faltar a frescura e a revitalização contínua de novos músicos.

A principal mais-valia desta escola prende-se precisamente do facto de, com a formação musical de jovens, ficar garantido o reforço de músicos e a renovação dos músicos da banda.
É com orgulho que ouço o Diogo afirmar “A Banda de Antas tem atualmente um dos melhores trompetistas do país – Marco Silva, que gravou a solo com a banda. Está na ópera de Zurich e no verão vai estar cá de novo. Assim como um grande tubista – Jorge Viana, natural de Antas e que também tem vindo a trabalhar com os melhores músicos e orquestras nacionais.

POR LISBOA HÁ 8 ANOS, COMO VÊ ESPOSENDE?
“Esposende é a minha terra, onde volto sempre que posso, é este cantinho magnífico, que nos permite desfrutar da natureza e do encanto das suas gentes. Posso também trazer aqui o que pensam de Esposende, os Lisboetas, com quem convivo; Veem Esposende como uma terra que fica no norte, encostada ao litoral, com boas praias e excelente gastronomia. Esposende também é muito conhecida pelas suas Bandas Filarmónicas”.

Obrigado, maestro Diogo Costa, pela simpatia com que sempre conversamos, nós que já nos conhecemos há vários anos. A presente “entrevista” confirma na íntegra as expetativas sobre si, com que fiquei mal o conheci e vi atuar. É inequívoco que este jovem nasceu para a música e que a música com músicos assim vai continuar a tocar belas melodias e a animar os nossos dias. Afinal, quem não gosta de uma boa sinfonia?

LIVRO DE «CRÓNICAS DE MÁRIO FERNANDES»
Sessão pública de lançamento do livro realizar-se-á no próximo dia 23, pelas 21 horas, no fórum Municipal Rodrigues Sampaio
O convite a todas e a todos os leitores, amigas e amigos, para participarem no lançamento do meu livro «CRÓNICAS DE MÁRIO FERNANDES», resultado da compilação das primeiras 60 crónicas escritas neste semanário esposendense. Para além das crónicas ainda vão poder ler textos de 8 ilustres esposendenses que aceitaram o desafio para se associarem a esta publicação de 430 páginas. A Vossa presença será para mim uma honra. Apareçam!
Mário Fernandes;
18-04-2015



terça-feira, 21 de abril de 2015

O LIVRO «CRÓNICAS DE MÁRIO FERNANDES» JÁ ESTÁ DISPONÍVEL NO WEBSITE DA EDITORA "CHIADO EDITORA"


https://www.chiadoeditora.com/livraria/cronicas-de-mario-fernandes


Já pode ser adquirido no website da editora "CHIADO EDITORA".
Preço: EM PAPEL: 13 €. - EBOOK: 3 €.
Preço de lançamento:
EM PAPEL: 11 €. - EBOOK: 3 €

Pode ser adquirido no dia e local do lançamento.

MF


segunda-feira, 20 de abril de 2015

ESTÃO TODOS CONVIDADOS



Estão todos convidados!

Dia 23, às 21 horas, todos os caminhos vão dar ao Fórum Municipal Rodrigues Sampaio na cidade de Esposende

MF


domingo, 19 de abril de 2015

sábado, 18 de abril de 2015

MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICAS DO CASTRO DE S. LOURENÇO




No Castro de S. Lourenço na abertura de uma exposição temporária e na apresentação do livro "Memórias Arqueológicas do Castro de S. Lourenço". O primeiro exemplar já está comigo e pelo que vou vendo trata-se de uma excelente publicação.

MF


CENTRO INTERPRETATIVO DE S. LOURENÇO



MF


terça-feira, 14 de abril de 2015

À CONVERSA COM O JOVEM POETA ESPOSENDENSE RICARDO BRAGA



RICARDO BRAGA É O MAIS JOVEM ESCRITOR A EDITAR UM LIVRO DE POESIA

JOVEM ESPOSENDENSE PUBLICOU ESTE ANO O SEU PRIMEIRO LIVRO DE POESIA «O ESPAÇO DO SER»

Mais uma conversa, com um jovem esposendense que se destaca pelo seu dom poético. Poético e não só. O dia e o local escolhido, não podiam ser melhores. O local, a Casa da Juventude, em Esposende, foi excelente, pelo que significa e pelo simbolismo que encerra e o dia foi o “Dia Nacional da Juventude”. Estando perante um jovem, esta associação foi muito feliz e permitiu-nos alargar a conversa aos jovens, à sociedade atual, aos seus objetivos e ao futuro.

Ricardo Braga, esposendense nascido em Braga, em 10 de março de 1999, é filho dos meus caros amigos, o poeta Jorge Braga e a professora Rosália Pereira e tem uma irmã com 12 anos.

Com residência em Esposende, frequentou a escola primária da cidade, transitando depois para a Escola Básica António Correia de Oliveira. Desta passou para a Escola Secundária Henrique Medina, onde se encontra atualmente a frequentar o 10º ano – curso de ciências.

«O Espaço do Ser» foi o pretexto que nos trouxe a este encontro e a esta conversa, mas o meu interesse não se esgota neste livro. Sei que o Ricardo desde bem cedo começou a dar nas vistas nesta arte nobre de juntar as letras e com isso construir palavras, que acasaladas da forma que só ele sabe, nos dão uma luz digna de registo. O meu jovem interlocutor de hoje tem-se notabilizado em inúmeros concursos de escrita – jogos florais, tanto escolares como promovidos por entidades exteriores às escolas, autarquias e associações. Os prémios esses, segundo afirma, não são a sua prioridade, porque o seu principal objetivo é dar largas à “caneta” e passar para o papel, muitas vezes para o telemóvel, aquilo que a cada momento lhe vai na alma e no pensamento.

Estamos diante de um jovem com uma postura sénior, com um pensamento muito bem estruturado e com ideias e objetivos já muito claras. Sabe avaliar o que se passa à sua volta e tem ideias, e muitas, que gostava de ver concretizadas. Tem muitos sonhos e espera muito da sociedade. Acha, e ainda bem, que a geração dele tem muito para dar a Esposende e à sociedade. Eu concordo, sou um acérrimo defensor dos nossos jovens e dos seus valores.

A conversa segue e coloco algumas questões bem concretas ao Ricardo: O primeiro poema, os seus gostos pessoais, o seu dom para a escrita, a sua forma de escrever, os seus ídolos, a família, a influência do seu pai e muitas outras questões e, as respostas, sempre prontas não se fizeram esperar.

GOSTOS PESSOAIS
Música: anos 80 e 90, rock n’rol, Bom Jovi, Guns n’Roses.
Cantor: Bon Jovi. As letras das suas canções trazem-lhe inspiração e uma mentalidade que cultiva a esperança, do tipo “não desistas, tu consegues”.
Desporto: Gosta de futebol e de parkur, que também pratica, mas a nível amador… risos!
Pintura: Gosta de pintura surrealista, porque esta obriga-o a puxar pela imaginação. Aprecia o abstrato, porque isso lhe permite dar a sua própria interpretação.
Género literário: Gosta de literatura não contemplativa, modernista e crónicas.
Ídolo: O escritor Mário de Sá Carneiro. Este é mesmo o seu principal ídolo, “devorando” toda a literatura deste escritor que admira e lhe serve de exemplo e de inspiração.

“O ESPAÇO DO SER”
As primeiras leituras que fez, bem novo, foi dos poemas do pai. Tinha-os lá por casa e começou a lê-los. Escreveu o primeiro poema quando tinha apenas seis anos de idade. Ditou-o ao pai, que lho escreveu numa folha de papel. Aos sete anos sim, escreveu, pela própria mão um poema e não mais parou.

Os poemas deste livro, que saíram de uma difícil seleção, datam de 2010 e vão até ao ano de 2014.

O título do livro foi escolhido pelo Ricardo, que se aconselhou em casa, com a família. Quanto aos poemas, primeiramente ia-os mostrando lá em casa, aos pais, mas hoje, já faz de forma diferente. Tornou-se autónomo e conforme vai escrevendo vai mostrando alguns dos seus poemas a dois amigos, o “Guilherme Silva – um amigo muito sincero e que lhe dá bons conselhos e o Diogo, que é um outro amigo que lhe dá muita força”. Lembra ainda uma das professoras que mais o marcou, positivamente, que foi a sua professora da primária, profª Eulália Pereira, que apercebendo-se do seu dom para a escrita, sempre o incentivou a escrever. Assim como a Idiema Salgueiro, a prefaciadora de “O Espaço do Ser”, que o apoiou num momento mais difícil, tornando-se assim a sua “madrinha” literária.

Confidenciou-me ainda que também vai escrevendo alguns poemas nas próprias aulas. Só o escrevo isto aqui, porque estou certo que os seus professores não vão ler esta crónica, que faço questão de dedicar ao Ricardo Braga.

Questionei o Ricardo se o nome pai o condiciona: Foi perentório na resposta, tal como em quase todas as respostas que me foi dando; No início condicionou, mas neste momento acho que já não condiciona. Agora, influenciar influencia, como é natural e influencia positivamente, até porque sempre apreciei muito os poemas e os livros do meu pai”. Mostrou-se convicto que o facto de ser filho de poeta lhe traz ainda mais responsabilidades até porque como afirma, com pai poeta, mãe professora lhe traz enormes responsabilidades, nada que o assuste, bem pelo contrário, gosta de dar sempre o seu melhor e de superar as expectativas de todos aqueles que o rodeiam. Família, amigos e conhecidos.

No futuro espera continuar a escrever e talvez editar, sabe que é difícil viver da escrita num país e num concelho como o nosso, mas espera ir satisfazendo este gosto pela escrita e pela própria leitura.
Quanto a uma profissão, aqui ainda se mostra muito indeciso, guardando para daqui por cerca de ano e meio a decisão a tomar quanto à opção a seguir, no que toca ao ensino superior.

Quanto à edição deste seu primeiro livro «O Espaço do Ser», elogia a “Editora Versbrava”, do grupo Seda Publicações que tanto o apoiou, pela aposta na sua pessoa e nos seus textos e o desejo de que o município continue a apostar seriamente na cultura e nos jovens valores.

Estive na Casa da Juventude, com “casa” cheia na apresentação deste livro e gostei de ver o “à vontade” com que o Ricardo se dirigiu à plateia. Foi uma sessão muito interessante e animada a terminar com a tradicional sessão de autógrafos. Com a conversa bem animada, pedi ao Ricardo que elegesse o poema que mais gosta neste livro e ele aqui está;

SE OS MEUS OLHOS FOSSEM MÁQUINAS FOTOGRÁFICAS
“Ai se os meus olhos fossem máquinas fotográficas;
Registava do mundo a sua beleza,
Sorrisos e emoções,
Caras e corações…
Vocês sabem o que eu quero dizer…
Se os meus olhos fossem máquinas fotográficas,
Registava vidas inteiras,
Com sentimentos e pensamentos;
O som da chuva,
E o silêncio dos ventos…
Vocês sabem o que eu quero dizer…
Se os meus olhos fossem máquinas fotográficas,
E o sol me espreitasse à janela,
Registava-te a ti, por seres a criatura mais bela…”

Perguntei ao Ricardo se também eu podia escolher um dos poemas para transcrever aqui nesta crónica. O Ricardo ficou um pouco aflito, diz ele; “Mas, não me diga que vai publicar poemas meus na entrevista a publicar no jornal? Claro, Ricardo.
Aqui fica o poema que mais gosto;

OS LIVROS
“Um livro é um amigo,
Que anda sempre contigo.
Leva-te a cantar,
A rir e a chorar,
Faz-te viajar sem sair do lugar;
Leva-te para lá do universo,
A um mundo de imaginação.
Discute política e desporto,
Física e Ciência,
Medicina e Português,
E faz-te ler outra vez.
É um companheiro de viagem;
Um na mão e outro na bagagem.
Está contigo antes de dormir,
Na hora de estudar,
E de manhã, ao levantar.
Há melhor do que um bom livro
Para acordar?
Uma aventura cheia de ação,
Ou um romance estranho
Para ler na casa de banho.
Fiel companheiro,
Ilustrado em televisão?
Prefiro-te em papel,
Mais valioso que um anel.
Amigo,
Sei que és fiel…”

E agora, um poema muito especial, um dos que o Ricardo declamou na sessão de apresentação do seu livro, na Casa da Juventude, no passado dia 7 de março.

MÃE
“Minha mãe de cabelos aos caracóis
É bonita para mim;
Reluzente como mil sóis,
Nunca vi ninguém assim!
Suas palavras doces de ternura
Caracterizam o seu ser,
E o seu passatempo predileto
É dar asas ao saber.
Ela tem olhos cor de chocolate
E seus lindos lábios
São vermelhos escarlate.
Quando está a escrever,
Suas mãos são pombas a voar
Sensação só comparada
Ao seu belo e suave andar.
Para mim é a pessoa
Sem a qual não posso viver;
É assim como ela
Que eu quero ser.
Ela é feliz,
É uma pessoa sem igual,
Ela é…
… a minha mãe de cabelo aos caracóis.”

“FILHO DE POETA, SABE… ESCREVER”
Não podia deixar de abordar um pouco a obra do pai do Ricardo, o meu caro amigo Jorge Braga, até porque ao falar do Jorge ao seu filho Ricardo verifiquei uma reação de grande respeito e admiração, como é natural, mas ao mesmo tempo de alguma independência. Curiosa a reação do Ricardo quando lhe digo: Ricardo sabes que acabas-te por roubar a vez ao teu pai? A resposta do jovem foi bem elucidativa… uma forte… gargalhada, oh. Ainda me disse que está no início, que escreve por puro prazer e que espera continuar a fazê-lo da mesma forma no futuro.
Com esta conversa com este jovem poeta, pretendo homenagear todas e todos os esposendenses que se dedicam à escrita, seja de que tipo for, porque desta forma estão a enriquecer o nosso património e a nossa cultura.

Do Jorge Braga, que tão bem conheço aproveito para deixar uma pequena referência à já sua grande obra, com vários livros editados e muitos saraus e exposições realizadas. Não me esqueço que terei sido das primeiras pessoas a convidar o Jorge a realizar uma exposição intitulada «Expoética, o Mundo em três tempos» que associou a escrita aos valores ambientais e à defesa da sustentação do meio ambiente e dos recursos naturais. Foi em curvos e contou com muita afluência e a opinião generalizada foi muito positiva. Também tenho acompanhado quase todos os lançamentos dos seus livros:

Em 1991, publicou o seu primeiro livro de poemas "Elos", abrindo assim caminho a um novo percurso pelo mundo das letras. Em 1992, lança "Paradoxia" e, dois anos mais tarde, edita um novo livro, intitulado "Galarim", onde se afirma como poeta no mundo académico, sendo a sua apresentação promovida pela Universidade Lusíada. Em 1997, publica "Excitações da Razão" e dá início a uma forma de escrever poesia, a Crónica Poética. Em 2005, edita o seu quinto livro, "Plectro Inato", uma obra poética que versa a imaterialidade e o intemporal na sua essência em contraste com os valores do mundo e, em 2014, surge com "Amenas Tempestades".

Obrigado, Ricardo. Gostei muito destes momentos passados contigo. Um jovem cheio de energia e com muitos sonhos para concretizar. Continua a fazer o que gostas e vais ter, estou certo, um futuro muito risonho. Um abraço.

NOTA FINAL: O Dr. António Costa acaba de deixar, a presidência da Câmara Municipal de Lisboa, muito antes de completar metade do mandato para o qual foi eleito. Isto significa que os lisboetas o elegeram, mas quem efetivamente vai governar e durante mais tempo é o seu número dois de então, o Dr. Fernando Medina. A isto, chamo BATOTA. Nunca gostei destes esquemas, do tipo, eu encabeço, mas logo que surja um tacho aparentemente melhor e mais apetecível, aqui vou eu.

Por isso, proponho uma alteração à LEI no sentido de clarificar situações de abuso, como esta. Sempre que um candidato abandone e ainda não esteja decorrido metade do mandato, realizar-se-ão novas eleições, para eleger novos protagonistas. Esta minha intervenção não se dirige em exclusivo a este caso, mas a todos os que se tem verificado e venham a verificar.

Uma nota muito positiva pelo programa da Semana Santa de Esposende deste ano, pela sua diversidade e riqueza.



Na próxima semana vou estar à conversa com o jovem músico e maestro Diogo Costa. A não perder.

Mário Fernandes;
11-04-2015