Caríssimas
e Caríssimos;
Depois da celebração de mais um «25 de
Abril» e das comemorações do «1º de Maio», quero aproveitar para refletir
consigo, caro ouvinte, sobre a actual situação do nosso país;
Temos um PARLAMENTO que deliberadamente ou não, produz leis ininteligíveis,
indecifráveis, pelos próprios e muitas delas inaplicáveis ou de aplicação
gravosa, vejam-se os exemplos da «Lei de limitação dos mandatos autárquicos»,
alvo de chacota nacional e a lei da «Extinção de Freguesias»;
Um GOVERNO
que já vai com o segundo orçamento consecutivamente inconstitucional;
Um PRESIDENTE
com clara e reiterada dualidade de critérios, este mesmo que governou o país
durante uma década e se gabava de nunca ter dúvidas e de raramente se enganar.
Agora, acossado pelo povo, responde com a gestão dos silêncios!
PARTIDOS que na oposição
tudo prometem e garantem, mas chegados ao poder, logo rasgam as promessas
feitas e os programas eleitorais apresentados, evocando as surpresas
encontradas, quando haviam garantido estar na posse de todos os elementos e de
conhecerem muito bem o estado do país e das contas públicas;
Temos PARTIDOS
ainda, que sabendo não ter nunca que o provar, prometem tudo a todos, desde a
baixa de impostos ao aumento de salários, serviços públicos gratuitos para
todos, ou seja, prometem tudo e o seu contrário;
E depois, claro, temos o POVO, as portuguesas e os portugueses,
esses mesmos, ainda há pouco tempo, por um Ministro considerados o melhor povo
do mundo. Pudera!
Com um cenário destes, que outro resultado
poderíamos ter senão um país da falência?
E tão grave como isto, é vermos que ninguém
é responsabilizado.
BPN’s, BPP’s; PPP’s, fundações, institutos
públicos que se sobrepõem e agora ainda mais recentemente as «Swap’s», que
vieram enriquecer o nosso léxico, mas depauperar ainda mais o erário publico,
engordando a alta finanças, os ditos «mercados».
Nada disto acontece por acaso:
Estamos num país que parece orgulhar-se de
dar a liderança das audiências televisivas aos «Big Brother’s».
Em que governantes transitam entre o sector
publico e o sector privado como se nada de errado se passasse, conseguindo
contratos dos quais vêem a ser os principais beneficiários, claro está, sempre
em prejuízo do Estado.
Em que os deputados aprovam a limitação de
mandatos para os autarcas, esses mesmos que as populações melhor conhecem, mas
para si mesmos não estabelecem qualquer limitação.
Um país onde o Presidente abdica do seu
vencimento pelo exercício da função, estando
impedido de o acumular com as pensões, não porque não o queira receber, mas
porque as reformas que aufere lhe são bem mais vantajosas. Um presidente que
fala em consensos, mas ao ver a forma como o tem feito, me faz lembrar aquele
ditado popular «se queres espalhar rapidamente uma notícia, conta-a a alguém e
pede segredo».
Um país onde uma enorme percentagem de
eleitores abdica desse direito inalienável que é o Voto;
E um país onde o amiguismo e o
chico-espertismo ainda reinam.
A agravar a toda esta situação, ainda temos
uma EUROPA destroçada, com a Alemanha a ditar as suas leis, a usar o seu
poderio económico, que nós próprios ajudamos a construir, e a abusar da sua
posição de potência dominante, impondo a lei do mais forte, esquecendo-se dos
momentos difíceis porque também já passou.
É lamentável que isto aconteça e mais inda
ver as atuais lideranças europeias, onde se incluí o nosso José Manuel Barroso,
a subjugarem-se à Senhora Angela, para assim irem garantindo os seus ricos tachinhos,
parecendo esquecer os povos.
Tenho saudades de verdadeiros líderes, como
Jacques Delors e mesmo Helmut Kohl, ou François Mitterrand, todos grandes
estadistas.
Voltando ao panorama nacional e
reconhecendo o monstruoso trabalho deste governo, lamento a insistência em
medidas que claramente vão agravar ainda mais esta crise.
O Primeiro-ministro anunciou uma
intervenção para as 20 horas de hoje, para anunciar mais cortes;
Daquilo que já fui sabendo, há pelo menos
duas medidas com as quais estou em total desacordo:
O aumento da idade da reforma, que vem em
meu entender dar mais uma machadada no emprego jovem, e
A baixa de salários na função pública,
quando o que deveria ser feito, não me canso de o dizer, era aumentar os
salários do sector privado, para gradualmente os ir aproximando do público e
nunca o contrário, que é o que o governo tem vindo a fazer.
Entristece-me ver o meu país totalmente
subjugado aos ditos mercados, verdadeiros especuladores financeiros e com a
sua, quer dizer nossa, soberania condicionada!
Depois de tudo isto sobra o futebol para
nos dar umas alegrias, com uma brilhante e categórica vitória do Benfica sobre
o Fenerbach, que assim, passados 23 anos, volta a disputar uma final europeia.
Venha daí o Chelsea, com quem vamos disputar a final de Amesterdão, no próximo
dia 17.
Por isso, viva o Benfica, viva o futebol
português, viva Portugal e os portugueses pela sua resistência e determinação.
Um Bom fim-de-semana, um abraço, e
Até à próxima!
MF