terça-feira, 13 de outubro de 2015

À CONVERSA COM JORGE FERNANDES ARQUITETO DOUTORANDO CONVIDADO DA UNIVERSIDADE DE AARHUS NA DINAMARCA



JORGE FERNANDES, ARQUITETO, DOUTORANDO CONVIDADO DA UNIVERSIDADE DE AARHUS NA DINAMARCA
JOVEM ESPOSENDENSE GANHOU UMA BOLSA DE DOUTORAMENTO E INVESTIGAÇÃO DA “FCT – FUNDAÇÃO PARA A CIÊNCIA E TECNOLOGIA”
“ACHO QUE TENHO TIDO SORTE, MAS TAMBÉM TENHO SABIDO APROVEITAR AS OPORTUNIDADES”
Mário Jorge Gonçalves Fernandes com 24 anos de idade, nascido a 7 de julho de 1991, em Curvos, tem 3 irmãos. A Cristina, licenciada em gestão e mestre em Economia, o Fernando e a Isabel, estudantes. Filho de Mário Fernandes, empresário e Elsa Fernandes, diretora de uma Instituição Particular de Solidariedade Social. Arquiteto, formado na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Minho. Atualmente, doutorando na área da arquitetura na escola de engenharia, convidado no presente ano, da Universidade de Aarhus na Dinamarca, com o tema de “Timber Gridshells - Form Finding”, projeção de malhas estruturais de madeira.
Esta conversa decorreu na Dinamarca, esta semana, aquando de uma visita que fiz ao norte da Europa. Aproveitei para visitar o Jorge e simultaneamente um dos poucos países da UE que ainda não conhecia. Um país com uma cultura diferente da nossa, muito organizado e onde os cidadãos têm uma atitude cívica de grande responsabilidade. Um país onde o sistema público de saúde é gratuito, a escola pública é gratuita, mesmo no ensino superior e onde o rendimento permite um modo de vida com efetiva qualidade. Gostei da cidade onde vive e trabalha o meu entrevistado de hoje, a cidade de Aarhus. A segunda maior cidade do pais, muito bem organizada, asseada e onde grande parte das pessoas circulam de bicicleta, com grande à vontade.
Bem, vamos agora ao que hoje me propus trazer aqui. A conversa com um jovem esposendense que cedo se destacou no domínio das artes, do desenho e da pintura e se encontra no estrangeiro, por opção própria, porque quer levar os seus conhecimentos e as suas competências além-fronteiras e ao mesmo tempo investigar e aprender outros métodos e modos de fazer e de viver.
Primeiro as questões de caráter pessoal, algumas curiosidades, depois o percurso pessoal, a Dinamarca e a arquitetura;
GOSTOS PESSOAIS
“Gosto de conversar, conviver, viajar e fazer coisas novas. Também gosto de cozinhar e de ir ao cinema.”
UM CLUBE
”Sou do Benfica. Gosto muito quando vencem, mas não me chateio muito com o futebol.”
TEMPOS LIVRES
”Os tempos livres praticamente não existem, ou seja, tenho muitas ideias e ambições que me vão mantendo constantemente ocupado. Também gosto de desporto. De jogar futebol, viajar, conhecer novas culturas e de preferência acompanhado pela minha namorada.”
MÚSICA
”Gosto de ouvir diferentes géneros de música, costumo ir diversificando mas em geral prefiro música mais calma para poder continuar concentrado enquanto trabalho.”
LEITURA
”Leio muito, embora não seja aquilo que mais gosto de fazer. Leitura técnico-científica, sobre temas relacionados com a minha área de investigação. Também me interesso por leitura noticiosa de atualidade desportiva, cultural e politica.”
ESCRITA
”Tenho escrito muito, principalmente ultimamente. É algo que tenho vindo a fazer com mais facilidade, pois, o trabalho assim o tem exigido. Estou numa fase onde tenho que apresentar alguns artigos como resultado da investigação que tenho vindo a desenvolver.”
VAMOS AGORA AO TEU PERCURSO     
FORMAÇÃO ESCOLAR?
“Frequentei o Jardim-de-Infância, a Escola primária e o Centro Social em Curvos. Daí segui para a Escola António Correia de Oliveira em Esposende e concluído o 9. Ano transitei para a Escola Secundária Henrique Medina. O Ensino Superior foi na Universidade do Minho, na Faculdade de Arquitetura no Campus de Guimarães de onde guardo excelentes recordações e onde tenho grandes e bons amigos. Sempre que falo do meu percurso escolar lembro a sorte que sempre tive, nos educadores e professores que apanhei, que acabaram por contribuir de uma forma importante para aquilo que hoje sou.”
DESDE MUITO CEDO COM “JEITO” PARA AS ARTES. QUAIS FORAM OS TRABALHOS QUE MAIS TE MARCARAM?
“Lembro-me de sempre gostar de desenhar. No ensino básico, sempre que tinha tempos livres, mesmo dentro das salas de aula, ia desenhando nos cadernos e nos próprios livros. No Ciclo, em Esposende, participei num concurso para a criação do postal de natal da Escola a enviar aos pais e o meu desenho foi o escolhido.
CONCURSOS DE LOGOTIPOS
“Como sempre gostei de criar algo de novo, participei em várias concursos para a criação de logotipos de clubes e de instituições.” Acabei por desenhar, em parceria, o atual logotipo do CENTRO SOCIAL DE CURVOS e do CLUBE DE PESCA DE FONTE BOA.
“Já na Escola Henrique Medina, num dos projetos das disciplinas do meu curso, em grupo criamos uma cadeira – Mobiliário urbano em modelo monobloco que acabou escolhida e que foi tornada realidade, porque foi construída em fibra. Esta cadeira esteve exposta na CASA DA JUVENTUDE DE ESPOSENDE. Também participei num concurso da Junta de Freguesia de Curvos, para a conceção da contracapa do livro “Curvos Encantos e Letras Soltas” e venci.
Em 2014, escrevi um artigo sobre construção em madeiras, que foi publicado na revista nacional “Casas de Madeira”. Foi um artigo de três páginas muito interessante e que teve chamada de primeira página.
SEI QUE QUANDO TERMINASTE O 12. ANO OS TEUS PAIS TE PRESENTEARAM COM UMA EXPOSIÇÃO DE UMA SELEÇÃO DE PINTURAS QUE FIZESTE AO LONGO DOS ANOS. COMO TE SENTISTE?
“Num dia cheguei a casa e tive a surpresa de encontrar cerca de três dezenas de pinturas e desenhos meus devidamente emoldurados e afixados nas paredes de uma das salas lá de casa. Esses quadros ainda hoje se encontram lá expostas e até já foram vistos por inúmeras pessoas.”
TESE DE MESTRADO COM DISTINÇÃO
Eu tive o prazer de assistir à tua defesa da tese de mestrado e foram só elogios. As pessoas que estavam naquela sala ficaram maravilhados com o teu trabalho e com a própria apresentação. O Júri teceu-te rasgados elogios e atribuiu-te uma nota de excelência. Queres explicar aqui sinteticamente de que se tratou? “Tratou-se de uma dissertação, sobre um solar no concelho de Amarante. Foi um trabalho difícil pela grande carga teórica e pela escrita mais exaustiva.”
BOLSA DE INVESTIGAÇÃO E DOUTORAMENTO DA FCT – FUNDAÇÃO PARA A CIÊNCIA E TECNOLOGIA
“Sempre quis seguir a minha formação e ao mesmo tempo começar a trabalhar. Candidatei-me e ao ser contemplado, posso juntar o útil ao agradável. Faço o doutoramento, trabalho e ao mesmo tempo investigo. Tenho tido sorte, mas também tenho sabido aproveitar as oportunidades.”
COMO É QUE FOI A TUA CHEGADA À DINAMARCA?
“Quando cheguei cá, já vinha com alojamento arrendado, através da internet e por isso a minha instalação foi relativamente fácil. Nos primeiros dias aproveitei para conhecer a cidade de Aarhus e a própria universidade. Há um certo choque inicial, porque notei logo grandes diferenças civilizacionais entre Portugal e a Dinamarca. Ambos, certamente com coisas boas e outras nem tanto. A primeira perceção teve logo a ver com a política pública de transportes, e com a atitude das próprias pessoas, diferentes hábitos de vida e métodos de trabalho. Aqui as pessoas quando estão no local de trabalho, seja ele qual for, dão o seu máximo não existem conversas paralelas nem perdem tempo na Internet. Isso deve-se também aos horários praticados. Praticamente não se pára para almoçar, ao contrário daquilo que acontece em Portugal, a ideia de hora de almoço não existe. Aqui as pessoas param tanto tempo como para um lanche, 10 a 15 minutos. É uma refeição muito leve. Nos próprios restaurantes não há a tradição de refeições demoradas, onde as pessoas conversem. Aqui as pessoas almoçam ou jantar rapidamente e seguem as suas vidas.”
E DEPOIS DO PRIMEIRO IMPACTO?
“De seguida houve que tratar de me legalizar cá. Tive que pedir cidadania dinamarquesa para poder permanecer cá, o que me traz todos os direitos e deveres dos dinamarqueses. A papelada foi relativamente fácil de tratar, até porque venho da universidade do Minho, devidamente referenciado. Notei que uma das condições absolutamente necessárias para o acesso à cidadania é que se consiga comprovar que temos um rendimento mensal superior ao equivalente a 850€, aquilo que eles consideram como o indispensável para viver cá com dignidade. De notar que aqui não há muito a noção do salário mínimo e o custo de vida é muito superior ao português. Os salários também são muito superiores.”
MAIORES DIFERENÇAS?
A moeda e a língua.
“A moeda local é a “coroa” e a língua é o dinamarquês, algo entre o inglês e o alemão. Não nos podemos esquecer da influência alemã, país que já teve a supremacia administrativa e único com quem tem fronteira terrestre. A coroa dinamarquesa vale cerca de 0,135€ e a maior nota de coroa é de 1.000 coroas, ou seja, de cerca de 130€, enquanto em Portugal temos notas de 500€.
A língua acaba por não ser um problema, simplesmente porque todas as pessoas, para além da sua própria língua também falam inglês.”
“AS POLÍTICAS PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO, DE SAÚDE E DE AMBIENTE SÃO TOTALMENTE DIFERENTES DAQUILO QUE EXISTE EM PORTUGAL E NOS DEMAIS PAÍSES DO SUL DA EUROPA”
“Na Dinamarca a educação é totalmente gratuita, desde o primeiro ano até ao ensino superior. Para além de gratuita existe uma grande vertente pratica, com os jovens a poderem optar por cursos em áreas mais práticas e com ligação às empresas.
A saúde é totalmente gratuita. Para além disso ainda existe a faculdade de opção na escolha do médico. Também se nota uma certa igualdade social, basta ver que em nenhuma empresa ou instituição, é possível que administradores ganhem mais que 10 vezes mais do que aquilo que ganham os funcionários com os salários mais baixos nessa organização.”
MAS AFINAL COMO É QUE CHEGASTE AQUI?
“A terminar o mestrado em arquitetura, havia que tomar algumas opções para o meu futuro. Como sempre quis enriquecer os meus conhecimentos, candidatei-me a uma bolsa de doutoramento à “FCT – FUNDAÇÃO PARA A CIÊNCIA E TECNOLOGIA”, uma entidade do Ministério da Educação. Embora soubesse que seria difícil, tinha esperança de vir a ser comtemplado, acabei surpreendido por ter ficado nos 5 primeiros na área de arquitetura, artes e urbanismo a nível nacional. A FCT considerou o meu projeto de especial interesse, pela inovação e pelo que traz para o bem da sociedade.”
De qualquer forma quando me foi sugeria esta Universidade, na Dinamarca, na altura não tive a perceção que fosse uma situação a tornar-se realidade em tão curto espaço de tempo. Quando cá cheguei ainda vinha um pouco admirado. Achei-me muito “pequenino”, aqui, praticamente sozinho.”
E A UNIVERSIDADE?
“A Universidade de AARHUS é uma universidade com grande prestígio internacional e acabei por ter a sorte de vir trabalhar para um departamento totalmente novo e muito bem equipado, inaugurado no ano passado.”
EM QUE CONSISTE O TEU TRABALHO?
“Eu estou a desenvolver um conjunto de trabalhos um pouco diversificados, embora o principal projeto tenha a ver com «Programação de Modelos Estruturais Tridimensionais». Paralelamente desenvolvo a minha tese de doutoramento, com ligação à Universidade do Minho.”
COMO É VIVER NA DINAMARCA?
”Tenho que dizer que me adaptei muitíssimo bem. Vivo sozinho, naquilo que aqui apelidam de «estúdio», ou seja, um espaço que não sendo grande me proporciona toda a comodidade e bem-estar. O facto de gostar de cozinhar, ajuda muito porque assim não dependo da ida a restaurantes. Aqui também não existe uma cultura gastronómica como a nossa, aí nós estamos muito à frente. Ainda na semana passada fui com o meu professor orientador, a convite dele e com outros colegas meus, dois japoneses, fomos jantar o prato caraterístico da Dinamarca [um peixe marinado, com vinagre e com pasta de caril] mas este fica muito aquém daquilo que em Portugal temos para oferecer.
O QUE É QUE MAIS ESTRANHASTE QUANDO AÍ CHEGASTE?
“A informalidade do trato, aqui não há Doutor, professor etc.. tratam-se pelo nome, o uso privilegiado da bicicleta e dos transportes públicos, a simpatia dos dinamarqueses, o civismo, os espaços verdes e o clima. Claro que nem tudo aqui é ótimo, o clima, o nosso sol e a própria hospitalidade entre as pessoas é de longe melhor em Portugal. Todos os países são diferentes. Tal como estranhei, quando estive pela primeira vez na Inglaterra, na França, ou em Itália, também aqui encontrei coisas muito boas e coisas menos boas.”
VIVENDO TÃO LONGE DO TEU PAÍS, DE QUE É QUE SENTES MAIS FALTA OU SAÚDADES?
“Sinto falta de produtos portuguesas e da nossa comida. Também sinto grande falta de ouvir alguém falar português, até porque a Dinamarca não é um dos principais destinos dos emigrantes portugueses. Sinto muito a falta da minha namorada, da família e dos amigos e do convívio com estes. Claro que hoje existem meios de comunicação de excelência, com base na internet, como o Facebook, o Skype, o Viber e o WhatsApp, que me permitem o contacto permanente com Portugal e com o mundo. Todos os dias falo com a família, o que permite de alguma forma colmatar a ausência e diminuir a distância. São cerca de 3.000 quilómetros entre Aarhus e Esposende.
“Um dos principais “handikaps” prende-se com o facto de para chegar a Aarhus ser necessário fazer escala noutros aeroportos. O que vale ainda são os voos “low-cost”.”
JÁ FOSTE A COPENHAGA?
“Fui. É um pouco como esta cidade de Aarhus. Apenas é maior, mas em termos de organização e de vivência é muito idêntica. Aqui as cidades, mesmo as maiores, são mais pequenas que as nossas principais cidades, afinal estamos a falar de um país com 4 milhões de habitantes. Em Portugal conhecem-se alguns ícones da capital dinamarquesa, que eu visitei, e destaco apenas a “sereia”, que na realidade se trata de uma estátua de dimensões muito reduzidas, mas onde todos os visitantes fazem questão de passar.”
HÁ MUITOS PORTUGUESES NA ZONA ONDE TE ENCONTRAS?
“Aqui, ainda só conheci dois portugueses. Um de Coimbra a fazer mestrado e outro de Lisboa. Há aqui muitos alemães e Espanhóis.”
ESTÁS CONTENTE POR TERES ESCOLHIDO ESTA UNIVERSIDADE?
“Contentíssimo. A comunidade académica é magnífica, receberam-me e tratam-me muitíssimo bem. Considero-me muito bem integrado e tenho todo o apoio, por isso só posso estar satisfeito.”
SEI QUE ESTÁS A PARTICIPAR EM VÁRIAS CONFERÊNCIAS QUE SE VÃO REALIZAR A NÍVEL MUNDIAL. ONDE É QUE SE VÃO REALIZAR E SOBRE QUE TEMÁTICAS?
“É verdade. Estou a preparar projetos que me vão permitir apresentar o meu trabalho, em: Portugal/Guimarães - 06/2016, Áustria/Viena - 08/2016 e Japão/Tokyo - 09/2016. Depois deverão seguir-se outras, assim espero.”
NO DIA 5 DE OUTUBRO ASSINALA-SE O “DIA MUNDIAL DA ARQUITETURA”
O QUE É QUE ACHAS DA ARQUITETURA EM PORTUGAL, QUANDO ESTAMOS A FALAR DE UM PEQUENO PAÍS, MAS JÁ COM 2 PRÉMIOS “PRITZKERS”, O PRÉMIO NOBEL DA ARQUITETURA?
“Portugal tem grandes arquitetos, com renome internacional e com obras projetadas e edificadas em todo o mundo. Os expoentes máximos tem sido Siza Vieira e Souto Moura, mas existem muitos outros projetistas com reconhecidos créditos em Portugal e no estrangeiro. Graças a estes julgo que fora do nosso país todos os arquitetos portugueses são bem vistos e acompanhados por um bom legado, conhecido um pouco por todo mundo. Ainda hoje foi tornado público o resultado de um concurso internacional, para a construção de um edifício para Museus, em Lausanne, na Suíça, que foi vencido por um atelier português, que concorria num universo de grandes arquitetos, onde se incluíam três “Pritzkers”.”
AFINAL, QUAL É O TRABALHO DE UM ARQUITETO?
“O arquiteto deve ser um individuo capaz de compreender e solucionar problemas a diferentes escalas no que diz respeito à melhor qualidade de vida das pessoas e que à partida deve estar munido de uma capacidade compositiva e organizativa e de conhecimento histórico, cultural e técnico, que lhe permita atuar e agir em concordância com as melhores opções para cada caso.”
UM CONSELHO AOS JOVENS PORTUGUESES
“O meu primeiro conselho vai no sentido de que devem estudar, para adquirirem conhecimento e competência que lhes permitam atingir os seus objetivos. A formação é sempre útil, independentemente daquilo que cada um vier a seguir. Os jovens devem definir objetivos e metas e depois aplicarem-se para as atingir. A formação escolar deve ser encarada como uma mais-valia e nunca como uma obrigatoriedade. Aos jovens universitários, deixando-lhes o meu exemplo, digo-lhes que se tiverem oportunidade de vir para fora por algum tempo, isso vai enriquece-los e faze-los crescer. Hoje, a Europa é o nosso País. Há uma coisa de que já não tenho qualquer dúvida. Esta experiência vai marcar-me decisivamente, arriscando mesmo a afirmação de que há um Jorge antes da Dinamarca e um diferente depois desta experiência internacional. PORTUGAL, VISTO DE FORA, TEM OUTRO ENCANTO. ESTA EXPERIÊNCIA PERMITE-NOS VALORIZAR MUITO MAIS PORTUGAL E OS PORTUGUESES”. Também quero expressar o meu total desagrado em relação ao titulo vulgarmente atribuído à minha geração; «a geração à rasca», uma geração que dizem ter muita formação mas que não sabe trabalhar. Pois bem, as anteriores também não sabia, até trabalhar, e hoje são gerações com experiencia. Deem oportunidade à minha geração que daqui a uns anos terão, não só uma geração com experiencia, como bem formada e a fazer muitas coisas extraordinárias pelo nosso pais e pelo mundo fora.”
UM SONHO PROFISSIONAL
“O meu maior sonho é merecer espaço na minha área profissional e poder contribuir para um mundo melhor. A arquitetura é uma das formas de excelência de tornar mais fácil a vida das pessoas. Espero contribuir ativamente para o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas.”
MESMO A TERMINAR… NO DIA EM QUE ESTA ENTREVISTA VAI SER PUBLICADA, JOGAM EM BRAGA, PORTUGAL E A DINAMARCA PARA O APURAMENTO PARA O «EUROPEU DE FUTEBOL» DO PRÓXIMO ANO. QUE RESULTADO ESPERAS?
“Espero que Portugal vença e se qualifique com distinção desta vez. Aposto na vitória de Portugal, mas espero que a Dinamarca se bata bem e que seja em bom jogo. Gostava que a Dinamarca também se qualifica-se, mas num dos outros jogos. Espero ver este jogo, do próximo dia 8, em bom ambiente e poder festejar à vontade, pois os dinamarqueses são muito respeitadores.”
NOTA FINAL
Caros amigos. Por diversas razões, em especial a relação familiar que tenho com o Jorge, esta deve ter sido das mais fáceis, mas ao mesmo tempo a mais difícil das 30 entrevistas que já fiz para este jornal.
Quero no entanto garantir-vos, que nem neste caso, nem num outro em que entrevistei, um outro familiar e noutros casos muitos amigos, me senti condicionado ou limitado na forma e no conteúdo.
Se há alguém a quem reconheço valor, apareço à pessoa e entrevisto-a. Até hoje, todas aceitaram e todas me receberam com grande simpatia e amabilidade.
Posto isto, quero dizer-vos que à semelhança de muitos outros jovens de valor, do nosso concelho, também o Jorge Fernandes se enquadra na perfeição no perfil de alguém que merece ver o seu percurso e currículo divulgados. Não me canso de afirmar que em Esposende [e em Portugal] há jovens de grande valor, com capacidades e competências de excelência em várias áreas, vários campeões, seja no desporto, na ciência, nas artes e na investigação, capazes de catapultar o nome do nosso concelho e do país e de ombrear com os jovens de outros países e culturas.
Parabéns Jorge pelo teu percurso, pela tua entrega, profissionalismo e abnegação e que regresses tão breve quanto antes. A tua família espera-te e o país precisa de ter cá jovens como tu.
Eu que também tenho obras em Espanha e já tive em França e no Reino Unido, onde me desloquei e desloco em trabalho, estou totalmente de acordo com o Jorge, no que toca à importância de Portugal e ao valor dos portugueses, por isso termino assim; VER PORTUGAL À DISTÂNCIA, A PARTIR DE FORA, PERMITE-NOS VER UM PAÍS… VALENTE E IMORTAL.
Um abraço, forte, extensivo a todos quantos se encontram na Dinamarca e por esse mundo fora. O desejo de que o país tenha a capacidade de vos atrair e receber, para que não andemos a investir e a “formar” e outros a aproveitar.
Mário Fernandes

08-10-2015





terça-feira, 6 de outubro de 2015

À CONVERSA COM JOSÉ AMORIM PRESIDENTE DA CRUZ VERMELHA DE MARINHAS



JOSÉ MARIA VIEITAS DE AMORIM NA PRESIDÊNCIA DA “CRUZ VERMELHA DE MARINHAS” DESDE 2006
CRUZ VERMELHA DE MARINHAS COMEMORA ESTE FIM-DE-SEMANA 25 ANOS DE SOCORRISMO COM AS 1ª JORNADAS DE EMERGÊNCIA
José Maria Vieitas de Amorim nasceu em 9 de junho de 1951, na Freguesia de Fragoso, mas reside em Marinhas desde 1979, data em que se casou, Escrivão de direito, aposentado, passou por várias comarcas do norte, onde deixou muitos amigos. Casado com Maria do Sameiro Vassalo Abreu, professora, também aposentada. Têm duas filhas. A Carina, com 35 anos de idade, casada, socióloga com atividade na área da formação, prestes a partir em missão [com o marido e outros voluntários], pela ONG – Leigos para o Desenvolvimento, pelo período de um ano, em S. Tomé e Príncipe. A Sara Andreia de 28 anos, jurista linguista, a trabalhar no Tribunal de Justiça da União Europeia no Luxemburgo.
Um homem que tem dispensado muito do seu tempo, da sua experiência e do seu saber às instituições marinhenses. Presidente da Assembleia de Freguesia de Marinhas durante dois mandatos, fundador do Jornal Voz de Marinhas, simpatizante do Marinhas Futebol Club e presidente da Delegação de Marinhas da Cruz Vermelha desde o ano de 2006.
Vamos conhecer um pouco melhor, a título pessoal, este amigo que se destaca pelo gosto que nutre pelo associativismo e que faz questão de afirmar “Passei pela política, mas não sou político, nem a política entra na Cruz Vermelha de Marinhas”.
UM CLUBE
“Sou do Benfica, mas a nível local sou simpatizante e apoiante do Futebol Clube de Marinhas.”
ESCRITA E LEITURA
“Gosto de escrever e até tenho alguma coisa escrita. Fui um dos fundadores do Jornal “A Voz de Marinhas”, onde colaborei. Em termos de gostos pela leitura, gosto de ler sobre ciências sociais, o ocultismo e a investigação.”
TEMPOS LIVRES
“Adoro passear e apreciar a natureza. Gosto de sair, conviver com os amigos e viajar.”
HOBBY
“O meu hobby é o associativismo. Gosto de trabalhar nas associações, de dar o meu contributo.”
PRESIDENTE HÁ 9 ANOS
“Pertenço ao grupo dos fundadores. O primeiro presidente foi Sá Ribeiro e eu sucedi-lhe.”
JÁ VAI NO 3º MANDATO. SER PRESIDENTE NÃO CANSA?
“É verdade. Nove anos e o terceiro mandato. Isto só é possível porque gosto daquilo que faço, tenho muito gosto nesta “casa” e conto com uma equipa coesa, profissional e acima de tudo, muito unida. Tenho 4 vice-presidente, 1 tesoureiro e 3 vogais que, como eu, tudo fazem pelo crescimento desta instituição.”
Vice-Presidentes: Rafael Maranhão, professor; António Albino Faria, industrial; Maria Sameiro Vassalo Abreu, professora; Eva Capitão, enfermeira; Tesoureira: Carla Gomes, economista; Vogais; Liliana Cunha, técnica de anatomia patológica; Pedro Carneiro, engenheiro; e a Joana Maranhão, enfermeira.
DELEGAÇÃO DA CRUZ VERMELHA DE MARINHAS
Oficialmente fundada no ano de 1993, embora tenha existência informal desde 1990, ano em que se iniciou no voluntariado. Existem registos do primeiro juramento em Marinhas, datando de 08 de dezembro de 1990. Inicialmente Núcleo, hoje delegação, tem sede própria, sita na antiga escola primária de Marinhas, na rua de são Sebastião, com o n.º1.
QUANTOS ASSOCIADOS TEM A CRUZ VERMELHA DE MARINHAS?
“Contamos atualmente com cerca de 1.500 associados. Claro que nem todos são pagantes.”
EXISTE JOIA DE ENTRADA? QUAL É O VALOR DA QUOTA?
“Não existe joia de entrada, ou seja, para se entrar para sócio não é necessário nenhum pagamento. A quota anual é de 12 €uros, ou seja, apenas 1 €uros por mês. Esta quota é a mesma que se aplica na Cruz Vermelha Portuguesa.”
QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS DOS VOSSOS ASSOCIADOS?
“Os nossos associados tem acesso a todos os nossos serviços e usufruem de descontos em todos os nossos serviços.”
QUE TIPO DE DESCONTOS?
“Em média os descontos andam entre os 25% e os 30%, dependendo do tipo de serviço ou valência.”
VALÊNCIAS
ALBERGUE DE S. MIGUEL
LOJA SOCIAL
CLÍNICA MÉDICA E DENTÁRIA
ENFERMAGEM
SOCORRISMO
 “O Albergue de S. Miguel é uma das nossas mais recentes valências. Aqui no edifício sede funciona a receção, o registo e o passaporte. Também temos a enfermagem para eventuais necessidades dos peregrinos. No antigo campo de S. Miguel temos o edifico cedido pela Junta de Freguesia, onde temos o dormitório, arrecadação, lavandaria, kitchenette, sala de estar, internet livre, telefone, wc’s e 34 camas, para que os peregrinos possam pernoitar. Iniciamos com 14 camas, mas em maio passado aumentamos e hoje temos um total de 34 camas disponíveis. A procura tem aumentado e assim estamos a dar resposta a essa procura. OS PEREGRINOS PAGAM ALGUMA COISA POR ESTES SERVIÇOS? Os peregrinos não pagam absolutamente nada. Os serviços são prestados por nós, pelo nosso pessoal, apenas temos um protocolo com a Câmara pelo qual recebemos 1.100 euros por ano. Nesta valência contamos ainda com a parceria da Via Veteris, que sinaliza i identifica o Caminho [de Santiago].”
LOJA SOCIAL
“Esta Loja permite-nos ter autonomia em termos de emergência social. Trabalhamos na Rede Social e colaboramos com a Loja Social da Rede Social do Concelho, mas fazemos questão de também ter a nossa própria Loja. Isto porque assim estamos aptos a resolver os problemas dos mais necessitados a qualquer hora da noite e a qualquer dia da semana, não estando dependentes de horários de outros.” QUEM É QUE FAZ A SELEÇÃO E A IDENTIFICAÇÃO DOS VOSSOS BENEFICIÁRIOS? ”São os nossos próprios serviços.”
 ASSIM NÃO HÁ O RISCO DE SOBREPOSSIÇÃO DE AJUDAS? “Penso que não. As pessoas em regra, quando pedem é porque precisam.”
QUE PRODUTOS É QUE DISPONIBILIZAM NESTA LOJA?
“Disponibilizamos um pouco de tudo, desde bens alimentares, vestuário, mobília, livros e outros bens de primeira necessidade. Para além das ofertas, também aceitamos trocas.”

CLÍNICA MÉDICA E DENTÁRIA. COMO FUNCIONA?
“Iniciamos com ortopedia, enfermagem e medicina dentária e hoje já temos mais de uma dezena de especialidades, todas com excelentes profissionais e especialistas em cada área”. EM QUE HORÁRIO FUNCIONA A CLÍNICA? ”Funciona a cem por cento de segunda a sexta e ao sábado temos algumas das especialidades.”
ORTOPEDIA, CLÍNICA GERAL, MEDICINA DENTÁRIA, ANÁLISES CLÍNICAS, PSICOLOGIA CLÍNICA, NUTRICIONISMO, TERAPIA DA FALA, PODOLOGIA E ARTE-TERAPIA.
SÓ OS SÓCIOS A QUE TEM ACESSO A ESTES SERVIÇOS E ESPECIALIDADES?
“Não. A clínica está aberta a toda a comunidade. O que acontece é que os associados tem os direitos dos associados. Os tais descontos.”
E A ENFERMAGEM?
“A enfermagem foi a nossa primeira valência e é aquela que funciona também ao domingo.”
“TEMOS EXCLUSIVIDADE CONCELHIA NO TRANSPORTE DE HEMODIALIZADOS”
“Este é mais um dos serviços que nos garante uma grande atividade. Fazemos o transporte de todos os doentes do concelho, da especialidade de hemodiálise, para a Clínica Particular de Barcelos, no âmbito de um protocolo com o Ministério da Saúde.”
SOCORRISMO
“No ano passado fizemos cerca de 200 mil quilómetros no conjunto das atividades que desenvolvemos.COMO É QUE SE PROCEDE SE CHEGAREM A UM ACIDENTE 2 AMBULÃNCIAS: 1 DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE ESPOSENDE E UMA VOSSA? “Faz o serviço a que tiver chegado primeiro.”
QUAL É O TOTAL DO ORÇAMENTO ANUAL?
“Estamos com um orçamento anual de cerca de 150 mil euros.”
DE ONDE PROVÉM AS PRINCIPAIS RECEITAS?
“Dos protocolos que temos celebrados: Ministério da Saúde – INEM, Seguradoras e serviços particulares. Vivemos muito dos nossos benfeitores e beneméritos. Pessoas que nos ajudem das mais diversas formas. A todos estamos gratos.”
FROTA DE VIATURAS
“Temos 8 viaturas. 2 Ambulâncias de emergência e socorro, 4 de transporte de doentes e 2 de apoio à atividade.”
PESSOAL
“No nosso quadro de pessoal temos 5 colaboradores efetivos e mais 5 colaboradores não efetivos. Voluntários do corpo ativo são cerca de 40. Se acrescentarmos outros, como os órgãos sociais estamos a falar de 60 pessoas.”
CRUZ VERMELHA DE MARINHAS ESTÁ A COMPLETAR O SEU 25º ANIVERSÁRIO DE VOLUNTARIADO
1ª JORNADAS DE EMERGÊNCIA
Vão realizar-se as «1ª Jornadas de Emergência» no próximo dia 3 de outubro, no Auditório Municipal de Esposende. Com início às 08h30 e encerramento previsto para as 18h00 vai contar com um painel de temas e de oradores para abordar todas as temáticas da atualidade relacionadas com a emergência. Autoridades militares – GNR e Policia Judiciária, autoridades de Saúde – Centro de Saúde e INEM, Instituto de Medicina Legal.
“De referir também que habitualmente marcamos presença nos eventos realizados no Município, com uma tenda, onde procedemos a rastreios vários e à divulgação da nossa instituição. Ainda no fim-de-semana passado estivemos na “Festa do Pão” em Marinhas.”
PRESENÇA NA INTERNET E REDES SOCIAIS
Temos uma webpage [http://marinhas.cruzvermelha.pt/] onde damos conta da nossa atividade e também temos uma página no fecebok, por onde passa muito do que fazemos. É um excelente meio de divulgação que divulga e mantém a ligação à comunidade.
MISSÃO DA CRUZ VERMELHA. DESTA E DE TODAS
Constitui missão da CVP prestar assistência humanitária e social, em especial aos mais vulneráveis, prevenindo e reparando o sofrimento e contribuindo para a defesa da vida, da saúde e da dignidade humana. Para a concretização do seu objeto a CVP: Decreto-Lei nº 281/2007 de 7 de Agosto 12, a) Fomenta e organiza a colaboração voluntária e desinteressada das pessoas singulares e coletivas, públicas e privadas, nas atividades da instituição, ao serviço do bem comum e em especial em situações de acidente grave ou catástrofe; b). Colabora com outras entidades e organismos que atuem nas áreas de proteção e socorro e da assistência humanitária e social, sendo também, neste âmbito, auxiliar ou complementar dos poderes públicos, sem prejuízo da sua independência e autonomia e assegurando o respeito pelos símbolos, distintivos e emblemas da Cruz, Crescente e Cristal Vermelhos, nos termos das Convenções de Genebra e seus Protocolos Adicionais; c). Colabora com as autoridades de proteção civil em articulação com o sistema integrado de operações de proteção e socorro, de acordo com os princípios e as normas a que se encontra submetida e sem prejuízo da sua independência e autonomia; d). Colabora com os serviços de saúde militar, no âmbito da proteção aos militares feridos, doentes, náufragos, prisioneiros de guerra, às vítimas civis dos conflitos nacionais e internacionais e noutras situações decorrentes de estados de exceção, no quadro da ação do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e de acordo com as disposições das Convenções de Genebra e seus protocolos adicionais; e. Colabora com o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho na promoção dos direitos humanos, na difusão e ensino do direito internacional humanitário, bem como na difusão e aplicação das suas orientações. Dos Estatutos da Cruz Vermelha Portuguesa, com aplicação a todos os Núcleos e Delegações.
QUAL É A MAIOR NECESSIDADE DA CRUZ VERMELHA DE MARINHAS?
“É a construção de um parque com garagem para as ambulâncias. Já temos dialogado com a Câmara para que nos ajude na aquisição de um terreno, situado aqui a norte da nossa sede, mas a situação ainda não foi solucionada. Esta ´mesmo a nossa maior prioridade, porque assim temos as ambulâncias ao tempo o que leva a uma mais rápida deterioração das mesmas.”
PRINCIPAIS OBJETIVOS A MÉDIO PRAZO?
“Continuar a apostar na diversificação de serviços.”
QUE ESPERA DO FUTURO? QUANTOS MANDATOS CONTA FAZER MAIS?
“Eu quero criar condições para que se faça uma transição de continuidade. O que eu gostava era de ir preparando a sucessão e deixar a instituição bem equipada e com boa saúde económica e financeira.”
UM SONHO?
“CONSEGUIR SER UM POSTO P.E.M.”
E O QUE É ISSO?
“POSTO DE EMERGÊNCIA MÉDICA. ATUALMENTE SOMOS POSTO DE RESERVA.”
E O QUE É QUE ISSO SIGNIFICARIA DE TÃO IMPORTANTE?
“Significava que passávamos a ser chamados em primeiro lugar para as emergências da nossa zona.”
E QUAL É A VOSSA ZONA?
“A nossa zona deverá ser da freguesia de Marinhas para norte e mesmo as zonas limítrofes com os concelhos de Viana do Castelo e Barcelos.”
COMO É QUE SE PAUTA O RELACIONAMENTO COM O “PODER POLITICO”. JUNTA DE FREGUESIA E CÂMARA MUNICIPAL?
“Temos um excelente relacionamento como alias sempre tivemos com outros líderes, tanto na Câmara como na Junta de Freguesia. Aqui não entra nem política nem religião. Trabalhamos com quem a cada momento está nas instituições e mantemos sempre um relacionamento institucional da maior correção.”
CAMPANHA SOLIDÁRIA «JUNTOS SEM BARREIRAS»
“Recolha de tampinha para a aquisição de uma carreira de rodas, elétrica, para oferecer a um marinhense que sofrendo de doença grave, esclerose múltipla em estado avançado, precisa de uma cadeira para a sua mobilidade. Precisamos de cerca de 6 toneladas e já temos mais de 1 tonelada. Deixo aqui um apelo a todos os que possam e queiram ajudar para o fazer junto da nossa sede.”
O QUE ACHA DO CONCELHO DE ESPOSENDE?
“Esposende é o lugar mais aprazível do país, para tudo. Trabalhar, passear e passar férias. É um território onde se gosta de estar e conviver e onde a natureza é uma das grandes riquezas. Estamos perto de tudo, num local estratégico e onde felizmente não se deixou a construção estragar o ambiente.
BOAS NOTÍCIAS A TERMINAR
“VAMOS TER UMA NOVA AMBULÂNCIA ATÉ FINAL DO ANO”
“Contamos apresentar uma nova ambulância, uma Renault Master de 9 lugares/7 cadeiras de rodas, para reforçar a nossa oferta no transporte de doentes.”
UMA ÚLTIMA QUESTÃO. O QUE ACHA QUE DEVE SER FEITO NESTA QUESTÃO DOS REFUGIADOS?
“Considero que devemos ter uma política de abertura para acolhermos alguns dos refugiados deste drama humano. A nível da Cruz Vermelha estamos totalmente disponíveis para colaborar com as entidades em tudo aquilo que esteja ao nosso alcance.”
OBRIGADO, PRESIDENTE!
Caríssimo Amigo, Presidente José Amorim, muito obrigado pela simpática receção que me fez na sua distinta instituição, bem como pela visita guiada e pela agradável conversa que tivemos. Fiquei a conhecer muitíssimo bem esta insigne instituição marinhense, as suas instalações e a sua grande atividade.
Um homem que conheço há muito, das muitas vezes que nos cruzamos em reuniões e eventos, cada um com as suas responsabilidades em instituições e associações de utilidade pública. Tal como fez questão de lembrar também tive o prazer de em tempos os ter recebido na Freguesia de Curvos, no âmbito de visitas ali realizadas.
Que a Cruz Vermelha de Marinhas continue a trilhar o seu caminho em prol da comunidade e que a sua presidência mantenha toda a dinâmica que lhe é caraterística.
Desejo-lhes, a todos, órgãos sociais e associados, as maiores felicidades e os maiores sucessos.
Mário Fernandes;
01-10-2015




domingo, 4 de outubro de 2015

BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE ESPOSENDE



MF


ESTÁ FEITO!



Está feito. Missão cumprida!

Lanço daqui um apelo, para que não deixem na "mão" de outros uma decisão que vai influenciar os próximos 4 anos e a vida de todos os Portugueses. Votar é um direito que jamais deve ser dispensado.

MF


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

JORGE FERNANDES DOUTORANDO CONVIDADO DA UNIVERSIDADE DE AARHUS NA DINAMARCA




Jorge Fernandes, Arquiteto, Doutorando Convidado da Universidade de Aarhus, na Dinamarca. "PHD GUEST, AARHUS UNIVERSITY", a trabalhar na área da "Programação de Modelos Estruturais Tridimensionais".


Nesta visita ao Jorge, estou a gostar de tudo. Um país bonito, moderno e civilizado e uma universidade de topo, com instalações novas e muito bem equipada, que te acolheu magnificamente. Parabéns e as maiores felicidades. Um abraço forte e que o tempo passe rápido. Portugal espera-te.

MF

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

À CONVERSA COM O ESCRITOR JOSÉ TORRES GOMES



MANUEL JOSÉ TORRES GOMES JÁ EDITOU 3 LIVROS E PREPARA-SE PARA APRESENTAR MAIS UM QUE ACABA DE ESCREVER
«CONSIDERO-ME UM ESCRITOR EXISTÊNCIALISTA»
José Torres Gomes nasceu no dia 30 de outubro do ano de 1970, na freguesia de Belinho, onde reside. É solteiro e tem o 12º ano de escolaridade. Portador da doença de Stargardt, uma doença degenerativa que lhe tem afetado e reduzido muito a visão, não desiste de lutar por aquilo que gosta e lhe dá prazer. Tem na escrita uma forma de comunicar com o mundo e de dar a conhecer muita da sua imaginação e da sua criatividade.
Já foi cunicultor, ou seja, criador de coelhos. Tem cinco irmãos e reside com uma irmã mais velha. Embora sinta que podia fazer mais, dedica-se no essencial a realizar pequenos trabalhos por casa, umas “bricolages”, mas a sua capacidade e resistência levam-no a ler e a escrever, tendo publicado 3 livros e encontrando-se a concluir um outro.
Considera-se um existencialista e escreve ficção, poesia e contos infantis.
Vamos conhecer melhor o amigo José Torres Gomes.
GOSTOS PESSOAIS
“Gosto de viajar pelo mundo e fazer caminhadas e de conviver com os amigos.”
UM CLUBE
”Sou do Futebol Clube do Porto, mas não ligo muito a desporto”
TEMPOS LIVRES
”Passo o tempo a conversar com amigos. Leio muito e escrevo.”
MÚSICA
”Gosto de ouvir boa música.”
LEITURA
”Leio muito. Estou a ler Alexandre Dumas, José Saramago e Afonso Cruz. Assim de momento, elejo para melhores livros que li: As velas ardem até ao fim – Sandor Márai, e A Papisa Joana – Donna Woolfolk CrosS. Como contistas gosto imenso de Sophia de Mello Breyner, Miguel Torga, Charles Dickens, Edgar Allen Poe. Como poeta maior elejo Fernando Pessoa, muito embora aprecie António Jedeão, Ary dos Santos, José Régio, Eugénio de Andrade, Florbela Espanca, entre outros. Não aprecio poesia traduzida, acho que perde muito. Tenho mais de 12 mil livros em formato digital.”
ESCRITA
”Escrevi os 3 livros que publiquei e já tenho muito mais material para editar.”
“OS OSSOS TAMBÉM FALAM” FOI O SEU PRIMEIRO LIVRO
Começou a escrever por volta do ano de 2008, tendo editado o seu primeiro livro no ano de 2010. “OS OSSOS TAMBÉM FALAM”. Trata-se de uma história passada no Brasil. Numa edição de autor, foi lançado em Viana do Castelo, local onde se sente sempre muitíssimo bem recebido. A crítica foi unânime, tendo-lhe reconhecido uma excecional qualidade, sendo por muitos referido como uma obra que pode dar uma excelente novela. O único senão, no entender do autor, poderá ser o facto de estar um pouco “abrasileirado”, embora isso se deva ao facto de a história se passar no Brasil.
“NUNCA MAIS TE VI” É O TÍTULO DO SEGUNDO LIVRO
Um livro de ficção e romance que retrata uma história passada entre o Castelo do Neiva e Fonte Boa, com prefácio de Rui Cardoso Martins, foi apresentado no auditório municipal de Esposende por Maria José Guerreiro, atual vereadora da cultura de Viana do Castelo. Este segundo livro já foi editado pela editora “Atelier das Letras”. Depois da apresentação inicial, seguiu-se outra na biblioteca municipal de Viana do Castelo. Diz José Torres Gomes, que daquilo que mais sobressaiu da crítica foi “dá uma história para um excelente filme”.
“GENTE SEM GOVERNO” É O TERCEIRO LIVRO
Em junho de 2013 foi lançado o terceiro livro do autor, tratando-se de uma história – romance ficcionado, que se passa entre Portugal, a França e a Venezuela. Prefaciado por Maranhão Peixoto, foi apresentado pelo prefaciador, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Esposende, no Fórum Municipal Rodrigues Sampaio, em Esposende. Este livro tem a chancela da “Pastelaria Estúdios” e na opinião do autor é um pouco superior aos anteriores.
Para além destes três livros, já publicados, José Torres Gomes tem um quarto romance concluído e escrito muita poesia, tem ainda contos suficientes para um livro, e alguns contos infantis. Um deles, intitulado “O Elefante Branco”, foi ilustrado pelas Escolas de Belinho e Marinhas.
No próximo mês de outubro é a vez de lançar o primeiro livro de poesia, ainda sem título, com edição da editora “Lua de Marfim”. Para o prefácio ainda está a decidir, mas uma coisa é certa, se a qualidade dos anteriores livros se mantiver vai certamente ser mais um sucesso.
PRÉ-PUBLICAÇÃO DE ALGUMAS HISTÓRIAS E POEMAS
“O PAPAGAIO DE PAPEL”
Na quinta do senhor Manel,
Brincava um menino com um papagaio de papel.
Na quinta do senhor João,
Brincava um menino com um papagaio na mão.
Na quinta da dona Maria,
Brincava um menino com um papagaio que subia, subia,
E também descia, descia.
Na quinta da dona Mariquinhas,
Brincava um menino com um papagaio que tinha uma cauda de fitinhas.
Na quinta do senhor Sarmento,
Brincava um menino com um papagaio de papel ao vento.
Na quinta da dona Rosa,
Brincava um menino com um papagaio cor-de-rosa.
Na quinta do senhor Raúl,
Brincava um menino com um papagaio azul.
Na quinta do senhor Alfredo,
Um menino fazia do seu papagaio um brinquedo.
Na quinta do senhor Elias,
Brincava um menino que lançava o papagaio todos os dias.
Na quinta da dona Carolina,
Quem brincava com o papagaio era uma menina.
Entre Junho e maio,
Muitos meninos brincavam todos os dias com o papagaio.
Quem me ensinou esta lengalenga foi minha avó,
E agora canto-a numa toada só.
“O ELEFANTE BRANCO”
Era uma vez um elefante branco que vivia numa floresta muito verdejante. Na mesma floresta também viviam muitos outros animais de quatro patas: vacas, cabras, ovelhas, zebras, lobos, hipopótamos, girafas, leões, rinocerontes.
E passarinhos, muitos passarinhos: andorinhas, rouxinóis, pintassilgos, melros, pardais, águias e muitos mais. Entre todos estes animais havia um que era o mais triste. E sabem porquê?
Eu conto-lhes: o mais triste era o elefante branco. Pesava duas toneladas e meia e por onde passava esmagava tudo. Tudo era um manto de coisas esmagadas: tulipas amarelas, vermelhas, cor-de-rosa, cor-de-laranja, brancas, azuis e de outras cores das quais me esqueci agora. Também havia cravos das mesmas cores, e dálias e girassóis e papoilas e gladíolos e lírios, e, tantas outras flores das quais me esqueci agora.
Na floresta também havia pinheiros grandes e pequenos. Macieiras e pereiras, laranjeiras e nespereiras, araucárias e giestas. Todas estas plantas tinham muitas cores e eram de vários tamanhos, mas dos quais me esqueci agora.
Ao longo da floresta havia um curso de água límpida. Os homens chamaram rio ao curso de água. Nas águas do rio viviam muitos peixes grandes e pequenos e de muitas cores, mas das quais me esqueci agora.
Os passarinhos e as abelhas, que, também viviam na floresta, eram os que tinham mais sorte. Podiam voar sobre as águas do rio sem se molharem.
Era por se molhar e por não poder passar para o outro lado do rio que o elefante era triste.
Os outros animais de vários tamanhos e de várias cores e de várias espécies das quais me esqueci agora, não se importavam com passar ou não para o outro lado do rio. Por isso eram felizes. Mas o nosso elefante branco, deste lembro-me da cor, o nosso elefante importava-se, e muito! Vivia a chorar pelos cantos.
De cada vez que chorava, duas lágrimas grossas rolavam de cada um dos seus olhos e formava-se um fio de água que deslizava pela floresta até ir engrossar o rio.
Um dia, já há muitos anos, tantos e tantos que já me esqueci agora, os habitantes da floresta que eram todos os animais, e as plantas e as flores, juntaram-se ao elefante e perguntaram:
Diz-nos lá, nosso querido elefante branco, nós sabemos que és branco porque foi um homem quem no lo disse, porque choras assim tanto?
Porque me sinto infeliz… Pois, mas isso sabemos nós! O que queremos saber é a razão porque és infeliz? Porque eu sou muito pesado e desajeitado, tenho umas patas tão largas, e quando caminho, não vejo onde as poiso. E quando as poiso faço-o em cima das flores e das plantas e das formigas e mato-as a todas. Também sou triste porque gosto do que vejo do outro lado do rio e não posso lá ir….
“UM POEMA”
A minha alma levita,
Em ciclónico furor
E, simultaneamente, em deslizes na espuma oceânica,
Irrompe muros de pensamentos e coros melancólicos,
Regateia a pressa e a calma,
Constrói uma artéria de carne,
Rasga discípulos e crentes que não sabem de quem são e em quem crêem,
Salta o amontoado de silvas picantes,
Robustas e cortantes,
Deleita-se com maços de vento e resmas de orvalho,
Canta o lírico e o romanesco,
Enfrenta a fúria divina e animalesca,
Sem dar a cabeça ao leito da desigualdade,
Encanta-se e dá encantos,
Sobre púcaros de areias fertilizantes,
Arruma a casa dos pés,
Enche as suas calças com as pernas,
Entorna uma pinga de vinho,
Como quem tempera um naco de carne,
Suprime o olhar lívido,
Amassa o fermento da morte,
E constata o azarado consorte,
Repuxa o brilho aos sapatos,
Que enroupam as meias dos pés,
Sabe que o touro se pega pelos cornos,
Freia-o com ferros aguçados,
O sangue escorre morno,
Em vermelhidões pastosas,
Entronca-se o cadáver no leito da sua morte,
Esperançoso da ressurreição,
O espírito vagueia a rédea solta,
Vislumbra o azul estelar,
O ar, sombrio, arrefece os tubos,
Fendas nas ideias trespassadas pelo fulgor,
Sublime é o arrojado,
Aquele que sente o nó livre e o torna arroxado,
Estouram foguetes em torrões cintilantes e ensurdecedores,
O badalo oferece voz ao sino,
Apela à oração,
Crê quem crê,
Ralha quem não tem razão,
Tosse o combalido,
Vive quem existe,
Fala a benevolência,
O gume da faca corta a chama,
O calor emana das trevas,
Algo sublime e inconstante,
Opera a elasticidade,
Um mais um é uma contagem,
Subtrai-se um número esdrúxulo,
Matizado pela batuta da ilusão.
E assim desabrochou um voo raso numa doida viagem. [22-08–2015]
“HISTÓRIA”
A minha mão empunhou um pedaço do nada,
A morte poeirenta e distraída,
Pegou na indigência dos pobres e atirou-a para um longe,
Caiu no trote de um cavalo e aquietou-se.
Os dedos da mão fulguram a uma massa de névoas,
Estilhaçam o claro da janela,
Multiplicaram-se miríades de partículas cintilantes.
O frio entra janela adentro,
Onde se meteu a quentura do antes?
A casa já não tem conforto.
O vento reina a passos corridos,
As cortinas saltitam desenfiadas,
Sombras oblíquas pairam nas esquinas.
Na minha mão agarro deuses que enlaçam crenças:
Zeus, Dioniso, Hefesto, Posídon, hermes, Osíris, anit
Por entre os dedos passa uma polegada de deuses,
Cada um com o seu território para reinar,
Ávidos por publicarem as suas sentenças;
Leis com taras dissemelhantes,
O justo morre como pecador,
O assassino é elevado a íntegro,
Distribuída a bondade e a dor.
No punho da minha mão agarrei uma história:
Dei-lhe o era uma vez,
Há muito muito tempo,
Certo dia, certa vez;
O começo está na primeira palavra,
É nela que a história se lavra.
Fui ter com o meu irmão que partiu,
Poderia ser a arrancada para um final feliz,
Mas ele partiu de verdade,
Veio a escuridão da morte e o destino infeliz.
No punho da minha mão cabe a memória.
Nas páginas da vida há lugar para a mais linda e a mais sarcástica história. [01-09-2015]
NOTA FINAL
Esta entrevista com o amigo José Torres Gomes, por diversas razões, foi um pouco diferente de todas as outras. Uma conversa iniciada num café e terminada em casa do escritor decorreu com um grande à vontade, tendo abordado imensas temáticas e autores. Uma pessoa que apesar do infortúnio da doença, não se redime e segue em frente vendo na escrita a sua “libertação” e o meio por excelência de chegar às outras pessoas. Um escritor “existencialista”, um homem muito simples, sem máscaras, que cita Emil Cioran para dizer que só tem convicções quem nunca aprofundou nada; tratado com grande simpatia pelos seus amigos e vizinhos, sempre pronto a responder a uma piada ou provocação, um autodidata cheio de garra e energia. Daquilo que li, da sua escrita, sobressai grande imaginação e histórias muito bem concebidas com um fio condutor capaz de prender o leitor e o levar a ler com entusiasmo a sua escrita. Não posso deixar de salientar a excelente memória do José Gomes. Forneci-lhe, verbalmente, sem que o visse tomar qualquer nota, o meu número de telemóvel e endereço de e-mail e dali a nada já estava a comunicar comigo. Admirável.
As minhas felicitações a este meu amigo, e os maiores sucessos para as suas próximas publicações. Estejam atentos, porque o próximo livro, a lançar em Esposende, no próximo mês de outubro, pelo que já li é de uma excecional qualidade.
Um abraço, forte.
Mário Fernandes
24-09-2015